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domingo, 30 de novembro de 2008

Luzes de Natal

A Champs-Elysées já está com sua iluminação natalina. Nada além de uma roda gigante (bonita e iluminada), as árvores com luzes e quase desnudas de suas folhas e uma imensidade de barraquinhas vendendo guloseimas e artesanato. Parece, até, o nosso São João. Diferente, mesmo, foi ver as esculturas no gelo que lá estão expostas. Alexandre não acreditava que fossem gelo até tocar nelas (e quase queimar a mão no gelo). Agora, pra conseguir uma foto das esculturas foi uma luta: todos queriam bater fotos com as estrelas do Natal parisiense.

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Saindo de lá e aproveitando a noite e o frio de 5ºC, paramos no Louvre para vê-lo iluminado. Algumas fotos no álbum de novembro... E ei-lo: o mês derradeiro, dezembro, fechando as portas de 2008.

Invernal

O frio chegou e parece que pra ficar (as temperaturas têm variado entre 0 e 10 graus). Na última semana nevou duas vezes (segundo Tadeu, porque eu não vi nenhuma das duas): semana passada, quando estávamos na Itália, e nesta madrugada. Fomos, ontem, abastecer-nos para o inverno, que aí vem, com roupas made in China. No meio do caminho, uma foto:

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Cidade das artes

Por muito tempo fiquei pensando no que poderia escrever aqui sobre Florença. Gostaria de ter tido uma experiência mais intensa com a cidade para poder dar um depoimento que fosse condizente com o que ela realmente oferece àqueles que a visitam. O que descrevo é, no entanto, a percepção rala de quem passou muito pouco tempo por lá. A cidade é linda, de uma beleza perceptível especialmente durante o dia. Com uma alta concentração de arte renascentista (é lá que está o David, de Michelângelo, na Galleria dell'accademia), somente na Galleria degli Uffizi pudemos ver O nascimento de Vênus e vários outros quadros de Boticcelli, além de quadros de Rafael Sanzio, Tiziano, Caravaggio etc., etc. Esta galeria, aliada à Galleria Borghese (de Roma), oferece um acervo de arte renascentista invejável e praticamente imbatível. No entanto, de Florença, é pouco o que posso dizer. Não fomos a outros museus (como havia comentado, caríssimos), apenas perambulamos pelos cantos da cidade, vendo as igrejas pela fachada (pois elas também são pagas em alguns casos), admirando aquela arquitetura tão fascinante.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Venezia

Venezia, como é escrita em italiano, é uma cidade fantástica. Sim, a praça S. Marco fica alagada na maré alta (pegamos no último dia, mas estávamos atrasados e não deu para bater foto), o cheiro de esgoto sobe pelo ralo do banheiro, há pombos aos montes; mas mesmo assim a cidade é linda, diferente, encantadora. Como bem a definiu Alexandre: é a cidade mais fotogênica que já vi. De todos os lugares é possível bater uma linda foto. E uma história um tanto particular, que eu não conheço, ligada ao poder dos Doges, da igreja e da arte: história que está estampada na sua arquitetura e na arte presente lá, mas longe da minha compreensão. Algumas coisas interessantes a serem contadas: um frio de lascar congelava as pontas dos dedos dos pés e das mãos, além de adormecer o queixo e as orelhas (na primeira noite o aquecimento do nosso quarto estava desligado... ai que frio!!!). 5h da tarde anoitecia e, como mágica, todo mundo sumia da cidade. De dia, a imensidade de turistas surgia novamente. O vêneto, dialeto de lá, incompreensível e, estranhamente, as pessoas não gostavam de se comunicar em italiano, mas preferiam o inglês. Enfim, detalhes de uma cidade que mantém em torno de si muitas lendas, histórias e glamour. Abaixo, um pequeno vídeo que eu fiz quando estávamos vindo embora, do vaporetto, meio de transporte utilizado para grandes distâncias e que se locomove pelo Canal Grande.
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Dança no céu de Roma

Provavelmente muita gente já viu ao vivo, mas nós só tínhamos visto antes pela TV: uma dança dos pássaros (talvez de acasalamento). Parece que isso é tão comum na Itália que há até uma propaganda de carro simulando o ato nos céus. São milhares de pássaros juntos que voam para todos os cantos, que ora se juntam ora se separam, formando imagens e coreografias belíssimas. No primeiro dia de passeios, saindo da Piazza Navona, nos deparamos com o espetáculo a céu aberto. Abaixo, no vídeo, uma demonstração da surpresa que Roma nos preparou:

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Alpes

Posso não ter ido aos Alpes, tampouco aproveitá-los para esquiar. Mas vi as famosas montanhas geladas do alto, bem do alto. Na foto abaixo, uma foto da ida, passando pelos Alpes no vôo para Roma.

E aqui abaixo, as duas fotos que seguem são da volta (de Veneza). As imagens são lindíssimas e impressionantes. Especialmente quando a cordilheira acaba e é possível ter uma noção da altitude dela...


47 do segundo tempo

A viagem já estava toda programada, certinha, todas as passagens compradas e hotéis reservados. Eis que de repente, não mais que de repente, eu recebo um e-mail do Hostelsclub (agência de albergues pela qual fiz as reservas de hospedagem) dizendo que eu tinha ganho um final de semana grátis em Veneza! Não hesitei e escrevi para eles pedindo para que a gratuidade fosse nos dias em que lá estaríamos: 24 a 26. Não deu outra: ganhei as duas noites em um hotel de Veneza!!! Detalhe: o hotel ficava ao lado da Praça São Marco, o coração da cidade. Com isso, conseguimos respirar um pouco mais aliviados, com um orçamento já não tão apertado. Abaixo, o lugar onde ficamos hospedados:


Exibir mapa ampliado

Roteiro de viagem

A viagem à Itália, apesar de parecer ser muito (7 dias), foi rápida: isso porque, para Roma disponibilizamos 3 dias, Florença foi vista em 2 e Veneza em apenas 1 dia e meio! Pouco, muito pouco para apreciar a beleza de tais cidades. Como diz o Guia Routard: somente no terceiro dia em Roma notamos que o melhor seriam quatro. É verdade: no terceiro dia de Roma queríamos um a mais para poder visitar os lugares que estavam na lista. Não deu, infelizmente. Fica para a próxima. E olha que em Roma não foi pouca coisa que vimos: centro histórico, Galeria de arte antiga (Palácio Barberini), Galleria Borghese e a Villa Borghese, Coliseu, Forum Romano e Palatino etc. Quase tudo, na verdade, eu já tinha visto da outra vez; mas não impede que a admiração continue, sempre e sempre. Em Florença optamos por visitar apenas um museu (Galleria degli Uffizi, segundo indicação de um amigo, com um acervo de "tirar lágrimas dos olhos") e andar pela cidade. Creio que foi uma ótima opção: a cidade é linda! Mas é preciso sempre andar olhando pra cima, pois nos prédios antigos é que está a maior beleza da cidade. Em Veneza, então, passamos correndo por lá. E dela posso dizer apenas que passei, mas não a conheço como gostaria. A seguir, alguns comentários da viagem e as fotos já estão no álbum.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De volta ao lar

Chegamos de viagem. Não, não vou postar nada sobre nossa estada em Itália por enquanto. Antes, é preciso carregar as quase 500 fotos, o que vai me consumir certo tempo. Roupa suja a ser lavada, trabalhos atrasados e pendentes, volta ao lar e à realidade. Enquanto isso, para dar notícias e também recebê-las, uma postagem para dizer que estamos de volta à ativa e mostrar a linda foto dos filhos do Haku...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Un'altra volta

Conhecer a Itália é um privilégio (não de poucos, claro, já que é um dos lugares mais visitados pelos brasileiros). Retornar à Itália, então, é um grande privilégio: amanhã cedo, eu e Alexandre partimos para Roma (alguns me dirão: de novo, Roma?!). Volto para lá não só porque gostei muito da cidade, mas porque acho que é um lugar fundamental para conhecer e quero que Alexandre a visite. De lá, pegamos um trem para Florença e, depois, vamos para Veneza. A viagem está sendo programada há muito tempo, com direito a busca infinitas de hospedagem, passagens, lugares a serem visitados, cálculos de quanto podemos gastar e de quanto efetivamente teremos de gastar. Afinal, a Itália não é o lugar mais barato a ser visitado. Diria, até, que está entre um dos mais caros: hospedar-se em Roma é sempre uma aventura pela qual se paga caro. Museus por lá custam uma pequena fortuna (estou acostumada a não pagar os museus aqui em Paris). Andar de gôndola em Veneza? Só para quem se dispõe a pagar 80 euros o passeio... enfim, coisas que ficam apenas no imaginário popular, pois é praticamente impossível ver e fazer tudo neste país extremamente artístico e turístico. Em tempo: hoje é dia de trabalho acelerado para nos darmos o direito de uma semana de férias. O blog ficará parado até a próxima semana, quando retornaremos com muitas fotos e histórias - espero. Data prevista para o nosso retorno a Paris: 26 de novembro.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Tristes Trópicos

O livro de Lévi-Strauss, Tristes trópicos, foi resultado de sua vivência - na década de 1930 - entre os índios Nambikwara, tribo da Amazônia. Semana que vem o antropólogo francês completa 100 anos de vida e, talvez como parte das comemorações, foi transportada para filme parte das experiências do francês com esta tribo. O filme (Claude Lévi-Strauss, auprès de l'Amazonie), cuja avant-première foi ontem, mostra a tribo da época e de hoje, evidenciando não apenas o que Lévi-Strauss encontrou no meio da selva amazônica, mas como o mesmo povo manteve suas referências culturais frente ao avanço da cultura branca entre eles. Um pouco idealista, um pouco inocente; mas fato é que foi um filme rodado com formato para a TV e será transmitido na próxima segunda-feira pelo canal 5.

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Estou começando a entrar no paradoxo da maioria dos brasileiros que vêm pra cá: vontade de voltar, saudade da terra; mas ao mesmo tempo já com o coração apertado por deixar uma parte da história dessa vida pra trás, uma parte tão boa, tão proveitosa e rica. Hoje vejo Paris com outros olhos: aqueles que tentam guardar a imagem na memória, a melhor e a maior possível. Ando pela cidade e não paro de admirá-la, quero levar comigo suas boas referências, as belas imagens que encontro andando por aí, as boas experiências.

domingo, 16 de novembro de 2008

Blague


MAM

Saindo da feira, depois de comer uma galette como almoço (aqui, na feira comemos galette ou crepe, no lugar do brasileiríssimo pastel de feira), fomos para o MAM: Museu de Arte Moderna de Paris, que fica no Palais de Tokyo, cujo acervo permanente é gratuito. Encontramos, no meio do caminho, dois italianos perdidos na teia que formam as linhas do metrô parisiense. Em meio a uma experiência babilônica, com mistura de francês, inglês e italiano, consegui convencê-los a descer no Trocadéro e poder ver o melhor ângulo da Torre Eiffel. Na saída do MAM, a proposta alexandrina: voltar para casa a pé. Fizemos o nosso roteiro, com direito a procurar, pelo caminho, uma boa boulangerie (padaria) para comprar pão com uvas. Em tempo: no acervo do museu, Picasso, Matisse, Modigliani etc. Fotos do dia no álbum.

Vida francesa

Quer saber como é a vida francesa? Vá até uma feira de roupas e alimentos, coisa tipicamente francesa. Tem de tudo. Para vender: frutas variadas, verduras, legumes, carnes, doces, roupas, equipamentos de cozinha, revistas e livros, frutos do mar etc. Para ver: jovens, casais, velhinhos, famílias... enfim, é um lugar perfeito para saber como o francês se comporta de fato. Seguindo indicação do pessoal daqui do andar, fomos então na feira da Bastilha (na foto, ao fundo, está o obelisco construído no lugar da antiga prisão). Enorme a feira de lá, com múltiplas barracas vendendo os mais variados produtos artesanais (frescos e bonitos) e sem intermediários.

sábado, 15 de novembro de 2008

Da invisibilidade

Se você participasse de um grupo de estudos, cujas reuniões tivessem certa regularidade, com um grupo de alunos conhecidos e se, de repente, aparecesse uma nova pessoa neste grupo, o que você faria? Pode não ser unânime a resposta a esta pergunta, mas grande parte dos brasileiros se perguntaria quem é essa nova pessoa e, provavelmente, dirigiria alguma palavra a ela. Ao menos, foi assim que eu fui recebida em Campinas: muitas pessoas me perguntaram quem eu era, de onde vinha, o que estudava etc. Mas essa história não se repete por aqui. Hoje fui à segunda reunião (em 8 meses!) do grupo de pesquisa do qual, teoricamente, participo. E, pela segunda vez, entrei e saí da reunião sem ninguém dirigir a palavra a mim; nem bonjour, nem au revoir. Tudo bem, eu também não tenho desenvoltura suficiente para me apresentar e fazer perguntas, mas as coisas vão além disso, caem no limbo da invisibilidade do outro. Sinto-me incomodada com isso.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dias curtos

Dias seguidos de trabalho: tensão com o direcionamento da tese, acompanhamento da crise financeira, leituras atrasadas, últimos meses em Paris. Os dias estão cada vez mais curtos, não apenas pelo inverno - que encurta o dia - mas também pela quantidade de coisa a ser feita e o quanto o tempo passa rápido...

Por indicação de Patrícia, a moça que nos atendeu na Coisas do Brasil, fomos dar uma olhada no programa do Centre Culturel Gulbenkian, uma fundação portuguesa com sede em Paris, cuja programação cultural é de encher os olhos para qualquer amante literário. A de hoje: uma mesa-redonda sobre o trabalho do cineasta português Manoel de Oliveira (a presença dele estava agendada, mas ele está filmando em Rimini, na Itália, e não pôde vir). Este é o cineasta que produz há mais tempo (ele tem 99 anos e ainda está na ativa!). Saímos, portanto, da BNF e fomos direto ao centro. Com fome, Alexandre pensava alto: "Ai, uns pasteizinhos de Belém". Não teve. Ao contrário, foram quitutes e champagne.

Aproveitando a proximidade, resolvi passar pela Champs-Elysées para ver como ela é à noite (nunca a tinha visto anteriormente). E eis um testemunho, a foto acima, do Arco do Triunfo iluminado pelas luzes artificiais. Na volta para casa, alguns "encontros" inusitados; quase em casa, um bêbado que gritava feliz da vida: "Ils sont Obama; nous sommes Obama" (Eles são Obama; nós somos Obama). E eis que Obama surge, no horizonte mundial, como uma estrela da esperança, tal qual Lula foi um dia para o Brasil. Vejamos e esperemos o melhor.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cigarros e fumantes

Conto algumas histórias que se passam por aqui porque elas não são comuns. Ao menos, não no meu cotidiano em Paris. A que aconteceu hoje foi em um ponto de ônibus e foi mais ou menos assim:
Um homem está sentado no ponto de ônibus, com um jogo de palavras e uma caneta nas mãos. Eis que chega um senhor, fumante, e se senta ao lado dele com o cigarro entre as mãos. O mais novo olha-o e diz:
- Senhor, aqui é a área dos não-fumantes.
- Pardon?
- Aqui é a área dos não-fumantes.
- Mas aqui é lugar aberto!
- Senhor, aqui é área dos não-fumantes. O senhor pode apagar o cigarro?
- Pardon?
- O senhor pode apagar o cigarro?
- Mas, não! Estamos na calçada, ar livre, lugar público!
- Eu já parei e não quero fumar, por favor!
- (...)
O homem, bastante alterado, bate com a caneta no cigarro do senhor.
- Hei! Isso é violência! - e o senhor se levanta e vai até a ponta da calçada, na parte descoberta do ponto de ônibus.
- Violência é o que o senhor faz: não respeitar os outros que não querem fumar. Isso sim é violência. Eu pedi com gentileza e você não deu atenção...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O tom do outono

Hoje, para dizer que não saímos para ver a cidade à luz do dia, demos uma rápida volta pelas redondezas. Mais precisamente do parque Montsouris à praça Denfert-Rochereau (ou seja, a uma estação daqui de casa), seguindo pela Allée Samuel Beckett:
E eis que, no meio do caminho, encontramos o chão repleto de folhas caídas das árvores, imagem perfeita para uma boa foto de outono.

E agora à noite, finalmente fomos ver o filme Vicky, Cristina, Barcelona, de Woody Allen. Bom rever os lugares visitados pessoalmente: Las Ramblas, Park Güell, Sagrada Família... e perceber que há muito mais coisas a serem vistas por lá. Abaixo, uma imagem do filme.

Feriado

Hoje é feriado aqui na França, dia do Armistício, em comemoração ao fim da Primeira Guerra Mundial, a partir da assinatura de um tratado para encerrar as hostilidades fronteiriças. Dia bonito, sol e temperatura agradável. Nós, no entanto, estamos dentro de casa (motivo: trabalho). Eis que olhando umas fotos antigas, vi uma batida de uma vitrine em Reims, repleta de macarrons. São docinhos feitos de amêndoas e com diversos sabores (chocolate, café, pistache, framboesa, baunilha etc.), que Alexandre experimentou pela primeira vez no domingo. Coincidência, uma moça - que estuda patisserie aqui em Paris e que mora na Maison - fez uma boa fornada de macarrons no domingo à noite para comermos e, de quebra, passou a receita dessa deliciosa guloseima francesa. Eis a foto dos docinhos:

Vídeo

Eis o vídeo do final da missa na Notre Dame. Outro dia não consegui postá-lo, então tento hoje novamente:

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domingo, 9 de novembro de 2008

Missa na Notre Dame


Domingo é dia de missa; e, mais especificamente, dia de missa em canto gregoriano na Notre Dame de Paris. Curiosa por saber como é uma missa gregoriana, fui hoje cedo. O que posso traduzir não é necessariamente uma decepção, mas um desencanto. Explico: eu pensei que o ritual fosse todo cantado em latim, mas não é. Há todas as partes normais de uma missa (em francês) e os cantos são realmente gregorianos (e em latim). Mas ir cedo ao centro de Paris nos rendeu um passeio por lá, aproveitando que a cidade estava vazia, e uma ligeira passada pelo jardim de Luxembourg para ver como anda o outono por lá.

sábado, 8 de novembro de 2008

Pulgas

Não, não vou falar novamente de cães. É que hoje eu fui conhecer o Mercado de pulgas (le marché aux puces) do norte de Paris: Saint-Ouen. Fui lá na expectativa de encontrar algum casaco de frio por um preço bacana, seguindo algumas várias indicações. Eis que chegando por lá, encontramos uma grande feira de mercado paralelo, provavelmente de coisas contrabandeadas. Outras, falsificadas. Fiquei andando pelo quartier, entrei por umas ruas e também me deparei com outra face do lugar: há várias galerias de antigüidades - e que são na verdade o lugar conhecido como Mercado de Pulgas. Só que, em volta dessas galerias, foi se formando uma imensidão de vendedores ambulantes, todo imigrantes, com produtos de origem duvidosa. E não necessariamente baratos. No retorno pra casa, eis que passa um grupo de policiais segurando um jovem... tudo bem; mas de repente começaram a surgir muitos outros policiais, viaturas, camburão, sirenes ligadas. Foi uma movimentação geral, com muitas pessoas correndo (e muitas se escondendo). Teve um cara que chegou a se esconder nas máquinas de bater foto (à la Amélie Poulain)!

Papai e menu franco-brasileiro

Não é nenhuma notícia de viagem, tampouco daqui de Paris. Justamente o contrário: vem bem de longe; de Águas de Lindóia mais precisamente. Haku, este lindo cocker spaniel da foto ao lado (meu, é claro), foi papai ontem de 5 lindos cockerzinhos: 1 macho e 4 fêmeas. Pena que só poderei ver seus filhotinhos, por enquanto, por skype...
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Ontem eu e Alexandre oferecemos um jantar para nossos amigos franceses: Anne-Laure e Philippe, de Marseille, e Elis, de Paris. Ainda foram convidados: Rosangela e Ana Maria (ex-alunas de Anne-Laure tb no Brasil) e Lucas, meu parceiro de cozinha. No menu: como entradas, pães de queijo e sopa de palmito, com baguette de acompanhamento; como prato principal, legumes gratinados, arroz selvagem e salada; tábua de queijos e, sobremesa, torta de maçã (feita por Elis) e calissons d'Aix (que Anne-Laure trouxe do sul).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Coisas do Brasil

Para brasileiros que sentem saudades das comidas brasileiras, há uma loja em Paris que se chama Coisas do Brasil. Hoje fomos lá para comprar pão de queijo e, antes de sair, começamos a conversar com a moça que estava atendendo... brasileira, casada com francês, mora há dois anos em Paris e faz mestrado em... literatura! Vem de onde? São Paulo! Ela perguntou como eu me sentia aqui em Paris e eu e Alexandre começamos a falar algumas coisas da nossa vida daqui. Eis que uma senhora, que estava fazendo suas comprinhas, deu seu depoimento: é faxineira em Paris, mora aqui há 4 anos, chegou sem falar uma palavra do francês, sente muita saudade do Brasil e da família dela (são em 10 irmãos). Hoje ela estuda francês, tem um namorado aqui e participa do coral da Sorbonne. Sai a senhora e continuamos nossa conversa, agora sobre a relação na universidade. Chega uma moça, que fica quieta por muito tempo enquanto conversávamos. Mas eis que eu falei que tinha sobretudo amigos brasileiros por aqui. Depoimento da moça: "Eu me afastei dos brasileiros. Uma vez eu fui numa festa de brasileiros, deu um barraco e a polícia apareceu por lá! Ainda bem que eu estava legalizada. Depois disso, nunca mais quis ter contato com os brasileiros". Coisas do Brasil. Ou seriam da França?

Dois assuntos num post encomendado

Alexandre há tempos vem me pedindo para eu comentar, aqui neste blog, a respeito de algumas coisas. Uma delas é a respeito do silêncio persistente por aqui. Em Toulouse, por exemplo, era possível ver o bares lotados à noite, mas ninguém ousava falar alto ou dar uma boa gargalhada. Ato que se repete nos metrôs, supermercados, ônibus etc. Esse é um traço marcante da personalidade francesa, que - talvez por extensão - também pode ser observado nos cães. É raro ver um cão latindo. Pittbulls tranqüilos, Rotweillers que seguem seus donos, Labradores lindos até; os cachorros, aqui, são tão discretos quanto seus donos. E há um lado ruim disso tudo: por regra de conduta social, não podemos agradar os cães. E nem eles dão bola para quem os agrada. Já houve casos de eu parar e mexer nos cachorros, mas os donos me olharem atravessado... depois pedi explicação para Anne-Laure e ela me falou que nem os cães nem os bebês são agradados assim por estranhos. E a gente fica só na vontade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Polida

Durante o curso de francês, hoje, um fato curioso: na próxima terça-feira, aqui, será feriado. Como é dia de curso, será preciso repor... mas havia, entre diretora da escola e professoras, um desacordo em relação ao dia em que isso deve ser feito. Eis o fato: a diretora não foi nem um pouco polida. Ela saía de sala em sala (são 4 ao todo), falava em alto tom com as professoras e batia a porta. Isso foi feito umas duas vezes, em meio a uma leve discussão entre a nossa professora e a diretora, com direito a dizeres como: "Somos nós quem pagamos". A professora, nitidamente constrangida, saiu duas vezes para conversar com a diretora e voltou quase chorando para a sala de aula. E daí em diante, a aula não foi mais a mesma.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fígaro

Com ingressos comprados há muito tempo (que é como as coisas mais ou menos funcionam por aqui), hoje foi dia de teatro, na Comédie Française, para ver O casamento de Fígaro, de Beaumarchais. A representação era irregular, com seus altos e baixos, que apelou aos trejeitos de riso fácil - de modo que muitas vezes a cena ficava até, digamos, carregada. Por vezes, bastante cansativa. O texto nem impedia tanto a compreensão da peça, mas o que realmente a limitou foi o modo como optaram para dar vida ao texto dramático.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Lugares-comuns

E da insustentável beleza das cores outonais.

Um dia ameno, luz opaca e cores magnificamente belas.
As fotos são do Parc Montsouris e da Cité Universitaire.

Nem tudo o que reluz é ouro

Para não pensarem que a vida aqui se resume a idas a balés, óperas e museus, mostro o outro lado da moeda de uma bolsista em Paris: a fundação que nos envia a bolsa paga de 3 em 3 meses. Uma bolada, mas que é preciso administrar pra não ficar na pendura no final do terceiro mês. Mas a gente sempre fica na pendura no final do terceiro mês. E ele foi em outubro (por exemplo, até hoje ainda não paguei aquele táxi de Barcelona). Este mês seria o início de um outro trimestre (praticamente o último para mim)... o pagamento foi liberado, mas até hoje não apareceu a cor do dinheiro ainda na minha conta corrente.

domingo, 2 de novembro de 2008

Leituras e citações

Le déjeuner sur l'herbe, quadro acima, de Edouard Manet, foi uma das obsessões de Picasso nos idos dos anos 60. Obsessão suficiente para render obras que permitiram ao Musée d'Orsay organizar uma exposição, do mestre cubista, com várias leituras e reformulações da cena retratada acima. O quadro original, pintado um século antes, foi motivo de polêmica na exposição em que foi apresentado; mas Manet era considerado, por Picasso, como um gênio modernista avant la lettre e, por isso, a insistência em redescobrir sua pintura. Abaixo, um exemplo de Le déjeuner sur l'herbe d'après Manet, de Pablo Picasso:

Quadrilha (2)

O mundo é grande e pequeno. Artur conhece Tadeu, que conhece Alexandre, que conhece Elen, que conhece Artur. E todos reunidos na Maison du Brésil; todos da Unicamp, todos que se conheceram - de alguma forma - em Campinas. Coincidências de um mundo acadêmico pequeno por demais.

Entreato

Como uma canjinha (mas também como uma continuação do que se passava no palco), no entreato do balé, uma apresentação no saguão do Opéra Garnier: Othelo e Desdêmona.

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Ainda no entreato, continuação da apresentação:

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Essa parte do balé seria uma extensão da ficção teatral: o bailarino é o Frédérick Lemaïtre, personagem de Les enfants du paradis; na verdade, amigo de Baptiste, também mímico e ator, com quem Garance teve um romance. Seria, então, uma cena fora dos palcos.

Quadrilha (1)

Nathalie amava Baptiste que amava Garance que amava muita gente. É mais ou menos essa a história em Les enfants du paradis, clássico cinematográfico francês da década de 1940, cujo papel principal (o mímico Baptiste Deburau) foi interpretado - e imortalizado - pelo mímico Jean-Louis Barrault. Em meio a um tumultuado contexto teatral parisiense da primeira metade do século XIX, Baptiste e Garance passam por encontros e desencontros, nos palcos e nos boulevares. A história do filme - e suas expressões mímicas e detalhes teatrais - foi transposta para o palco da Opéra Garnier, cujo espetáculo de dança fomos ver ontem, com coreografia de José Martinez. O roteiro de Jacques Prévert para o filme foi mantido no balé e, inclusive, cenas inteiras do filme. Para quem quiser ver o vídeo do balé, ele está disponível aqui. E para quem quiser ver uma cena do filme, aqui.