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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Retorno

Eis que hoje retorno às minhas atividades de trabalho na BNF. E volto, também, à realidade de situações inusitadas. Tudo correu dentro do (pouco) esperado: no metrô da ida um grupo de crianças espantadas porque o metrô anda por cima da cidade; dentro da biblioteca uma moça com um problema no cadeado do computador e um funcionário que vai arrancá-lo com um tremendo alicate; no metrô da volta um homem com um rato (de verdade e vivo) no pescoço.

sábado, 27 de setembro de 2008

À francesa

Hoje fiz algo que os franceses fazem muito: ler nos parques enquanto pegam um pouco de sol. Com a semana inteira dentro de casa, lendo teoria, resolvi hoje aproveitar o dia bonito e ensolarado (aproveitar enquanto o sol ainda aparece) e fui ao Montsouris. Duas horas no sol, lendo e lagarteando para espairecer. Neste início de outono, as árvores ainda têm folhas verdes; as folhas amareladas são das árvores que antes tinham folhas roxas. Em breve, tudo começa a cair...

Da polêmica imigração

Eu nunca fui a favor da imigração ilegal. Nunca mesmo. Não concordo com quem vai, ilegalmente, tentar a vida em outro país. No entanto, para muitas pessoas (e cada um é cada um) isso significa melhorar de vida, aumentar a renda e poder ajudar os seus. Há casos e casos conhecidos a respeito disso e a Europa é fortemente visada pelos imigrantes de várias partes do mundo. A antiga femme de ménage daqui, por exemplo, era da República dos Camarões. Lá ela se formou em enfermagem (curso superior), mas veio trabalhar como faxineira em Paris. Acontece que o diploma que ela conquistou lá não é reconhecido aqui; são várias as exigências para que isso aconteça e, uma delas, é que ela deve ter pelo menos três anos de trabalho legal no país para poder dar entrada no pedido de reconhecimento. Ela saiu da Maison, inclusive, porque está prestes a conseguir isso e, logo, um estágio em enfermagem.

Mas eis que a nova femme de ménage daqui é portuguesa (há uma outra, brasileira)! Interessante que Portugal, apesar de fazer parte da União Européia e receber ajudar por conta disso, é um país que não consegue acompanhar o índice de desenvolvimento econômico. Resultado: muito desemprego por lá e os portugueses migram para outros países à procura de emprego e dinheiro. Inglaterra e França são os países mais visados. Há muitos portugueses na mesma situação por aqui. E o mais interessante: eles não gostam de ser reconhecidos como portugueses. Exemplo é a Maria, a faxineira: ela só fala com a gente em francês! Eu demorei algumas semanas para descobrir que ela é portuguesa.

Tudo isso para comentar um acordo que será assinado no próximo mês pela UE: a Europa irá, definitivamente, fechar as portas para imigrantes que venham procurar trabalho. Eles irão "selecionar" os imigrantes de acordo com as necessidades de mão-de-obra de cada país, por conta especialmente da falta de empregos. Nas entrelinhas isso quer dizer que eles irão "convidar" os inúmeros imigrantes sem emprego a voltar ao seu país de origem, mesmo que estejam legalizados por aqui. Quanto aos ilegais, esses já são procurados há um bom tempo. Detalhe: quem propôs esse acordo foi a França, que atualmente preside a União Européia.

Mas em um aspecto é preciso tirar o chapéu para a França: quase não há desigualdade social, como vemos no Brasil. O salário mínimo é respeitado, de mil e cem euros. Por outro lado, não é possível encontrar aqui (como vemos no Brasil) uma pessoa que ganha 10 mil enquanto outro ganha apenas mil. A diferença salarial entre as classes é pequena, o que significa que todos têm condições semelhantes de compra, moradia, estudo, cultura etc. Neste acordo que será assinado, por exemplo, os países se comprometem a dar condições dignas aos imigrantes: saúde, moradia, educação e facilidade para o aprendizado da língua. Dá pra entender porque a França é um dos países mais visados pelos imigrantes.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pleins feux

A Opéra de Paris, além de oferecer espetáculos de grande qualidade por um preço razoável (é possível ver espetáculos de balé por 20 euros), também disponibiliza acesso gratuito a alguns ensaios gerais. É o que eles chamam de pleins feux (algo como a todo vapor em português). Consegui, hoje, reservar lugares para duas óperas em pleins feux: Lady Macbeth de Mzensk (foto acima) e Yvonne, a princesa da Borgonha. Deve valer a pena, já que a entrada para cada espetáculo custa, no mínimo, 60 euros.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Iníco de outono

Hoje começou o outono: o dia foi cinzento, máxima de 16 graus, vento gelado. As folhas das árvores já começam a amarelar, algumas até já começam a cair. Mesmo com essa mudança de estação e temperatura, ainda anoitece por volta de 19h30, 20h. Mas ainda estamos no horário de verão! Até quando, eu não faço a mínima idéia...

domingo, 21 de setembro de 2008

Trianon

Este final de semana foi a Jornada do Patrimônio. Foram dois dias com diversos patrimônios, públicos e privados, abertos ao público gratuitamente. Para tentar aproveitar um pouco, fui até Versailles. Eu sabia que o castelo propriamente dito não estaria aberto ao público, mas tinha visto que o Trianon sim. O Trianon comporta o Grand e o Petit Trianon. Este último fazia parte do chamado Domínio da Maria Antonieta. O jardim do domínio da rainha é grandioso, a contar que era um espaço somente dela. Por sorte, conseguimos pegar o final do dia por lá, quando abriram os portões do jardim do Château de Versailles. Sim, eu já tinha ido até lá, mas (como comentei da outra vez), pra ver simplesmente o jardim paga-se meros oito euros! Além do mais, da outra vez, inverno, geou bastante e fazia um frio de gelar os ossos. Hoje, apesar de um vento friozinho, havia um sol gostoso e um azul magnífico no céu. A foto acima é do castelo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Da permanência

Ficar um ano longe dos nossos não é fácil. Há pessoas que conseguem lidar melhor com a distância e as diferenças, mas para mim o que realmente amenizou o impacto da mudança foi a receptividade aqui na Maison e as amizades que surgiram. Enfrentar os problemas tornou-se mais fácil, o cotidiano menos duro, as diferenças menos evidentes - tudo por conta dos amigos, das horas juntos, dos encontros. Muitos me ajudaram e continuam ajudando. Espero poder passar isso aos que chegam. Letícia foi uma dessas; uma petite que vai fazer falta, que fez muito a diferença do meu tempo por aqui, que amenizou a saudade dos que estão além-mar. Hoje ela foi embora. Chiara, a italianinha carina que veio no pacote Letícia, também teve de se despedir hoje de nós. Ela parte no próximo dia 25 para Formia, cidade próxima a Roma.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

E eis o frio

Hoje Paris amanheceu com 3 graus. Depois, no meio da manhã, 5 graus, segundo o site de meteorologia do Le Monde. Agora, média de 16 graus... e eis que o frio começa a mostrar-se aos poucos. Enquanto isso, nada da Maison ligar o aquecimento...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Saint-Martin

Como Letícia está indo embora (ela parte no sábado), sugeri que fôssemos conhecer o Canal Saint-Martin. Há muito queria ir lá, mas não tinha tido oportunidade antes. E como fica na outra margem do Sena, pouco andamos por aqueles lados (por sinal, muito interessante). Descer o canal a pé mostra um pouco da cidade em um perfil diferente do que a que conhecemos, é uma região que pouco tem de proximidade com os arredores de onde moro. Dia de sol, temperatura agradável, clima de despedida - tudo bem apropriado para um bom passeio pela cidade.

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Ontem fizemos, como presente para a gauchinha, um jantar especial: soirée mexicaine. No cardápio: chili, guaca mole e tequila.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Saint-Tropez e Mônaco

Não ficamos mais do que duas horas no mais famoso balneário da costa francesa. Além da cidade simpática, com clara influência italiana em sua arquitetura, não vimos muito mais coisa do que o cais repleto de iates, com uma concentração muito alta de gente muito rica.

Do mesmo modo no Principado de Mônaco, onde ficamos apenas três horas. Lá o tempo foi pouco: seria preciso mais para poder visitar alguns lugares interessantes, passar pelo circuito do GP, entrar em algum cassino. Mas deu para ter uma vista panorâmica da cidade, cuja concentração não é de gente rica, mas de milionários. Algumas fotos no álbum.

Costa (do) Azul

De uma viagem longa e com alguns inconvenientes, os lugares que visitamos valeram as 12 horas de ônibus desconfortável e também a travessia do país. E, de todos eles, o que mais chamou a atenção foi o litoral de Nice, que explica bem o porquê do nome dado a esta região da França: Côte d'Azur. O mar, de uma beleza indescritível, possuía três tons diferentes de azul em determinado ponto da costa. Um pouco do que vi no vídeo abaixo...

video
E, além dessa variação de cor, há também um som muito específico do mar, pois as praias daqui não são de areia, mas de pedras. Já havíamos percebido isso em outras regiões e foi em Nice que consegui, finalmente, gravar um pouco desse som.
video
Por fim, apenas para mostrar a beleza do lugar, os três tons de azul:

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Rumo ao sul

Eis que retorno, hoje, para o sul da França: Saint-Tropez, Nice e Mônaco. A viagem será longa, de ônibus, aproximadamente 12 horas. Será preciso um tanto de paciência, especialmente com os ônibus pouco confortáveis daqui. Retorno previsto para segunda-feira cedo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Reinício

Théâtre des Bouffes du Nord reinicia suas atividades agora em setembro. Dei uma olhada na programação e eis a minha surpresa ao perceber que Peter Brook voltará com Fragments para Paris. Mas além de Beckett, Brook também estará aqui com Shakespeare e Cervantes (Irina Brook). Quando? Abril e maio do próximo ano, quando já estarei em terras brasileiras. Dommage...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Um quase outono

Últimos dias de verão e clima de outono. Como Letícia vai embora em muito breve, surge o desejo de despedida das coisas banais, da vida que vai dar saudade. Fomos, então, fazer um piquenique (na minha terra isso se chama farofada) na beira do Sena, próximo à Pont Neuf. Nada como um dia de sol, que se transforma em dia nublado e chuvoso e mais tarde abre novamente o sol (isso é Paris), para fazer um piquenique.

domingo, 7 de setembro de 2008

Reincidência

Camille Claudel continua me impressionando, mais do que Rodin. Hoje, para aproveitar a gratuidade dos museus e também os últimos dias de jardim florido e verde, fomos ao Museu Rodin. Dessa vez sem pagar, revi algumas esculturas de Camille (na foto acima, A Onda) que reafirmam as primeiras impressões que tive: paixão, loucura, perturbação, medo; sensações que surgem ao ver as peças dela. Abaixo, detalhe de L'Âge mûr:

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Final de estação

Aqui já começam a aparecer os ares da próxima estação. Dias nublados, cinzentos, chuvinha fina e vento gelado ocupam o lugar de um verão curto, que raramente passou dos 25 graus e que teve, no máximo, três semanas de calor. Nas lojas, aparecem os casacos pesados (sempre pretos), sobretudos, cachecóis, meias de lã, gorros, luvas; tudo para se preparar para os próximos meses de frio.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Meio a meio

Passaram-se já seis meses. Estou na medade de minha temporada por aqui. O mês de setembro não terá muitas novidades... sem nenhuma grande viagem a ser feita (a única viagem, na verdade, será um final de semana em Nice e na Côte d'Azur. Volto para sul, em uma excursão barata e rápida), biblioteca fechada. Concentrarei meu trabalho em casa e me dedico ao levantamento do que ainda falta ser pesquisado, do que já foi pesquisado e esboço de textos.

Feira provençal

Em Aix-en-Provence nos deparamos com um costume bastante provençal: feira aos sábados. Andando pela feira de alimentos da região, pudemos degustar muitas coisas típicas: um patê de azeitonas, azeitonas temperadas, queijos, azeite de oliva filtrado ou não, biscoitos típicos. Ainda havia essa diversidade de temperos, para todos os gostos e pratos.

Outra grande atração de Aix é ser a cidade de Cézanne. É possível percorrer o "caminho Cézanne" e ir até o antigo ateliê do artista, ver o monte Saint-Victoire, pintado por ele em vários quadros. Cidade bonita, simples e agradável.

De fato, acho que não calculei mal: Avignon, Aix e Carcassonne são cidades que não exigem mais de um dia para visitar e conhecer as principais atrações. Foi o tempo suficiente para ver e aproveitar cada uma delas.

Carcassonne

De longe é possível ver a silhueta da cidade alta de Carcassonne, com suas torres e muralhas medievais. Ao chegar mais perto, é como voltar no tempo e sentir-se entre o povo cátaro que sofreu ataques na cidade por parte dos católicos. Ou então, sentir-se no meio de um filme sobre a idade média (na cidade tem até apresentação de cavaleiros a caráter, incluindo aí os cavalos vestidos como outrora). Ao pé da cidade alta há um bosque e, além do rio Aude, a cidade baixa de Carcassonne. Mas a vista engana: a cidade foi toda reconstruída no século XIX (pelo mesmo arquiteto que reconstruiu a Notre Dame de Paris) e não resta quase nada da era medieval. No entanto, é possível ver pequenos resquícios de uma civilização ainda bem mais antiga e que deu os primeiros passos na construção daquela fortaleza: os galo-romanos fundaram os primeiros muros, no início da nossa era, sobre os quais depois seria construída a cidade que abrigou o povo cátaro no século XII.