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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Dá pra dar uma viradinha?

A história dessa foto: não fosse a insistência de Denise, que queria bater foto com os jogadores, e o empenho do seu marido, o Hector, que chamou um a um, eu não teria tais fotos. A que deu o que contar é esta com o Nalbert. Antes da história, chamo a atenção para o gelo no ombro do jogador e para o ambiente da foto: não estamos dentro do ginásio de esportes.

Lá fora, depois do jogo, decidindo se íamos ou não na Fête de la Musique, eis que Hector vê, de longe, Nalbert andando (não tínhamos conseguido bater foto com ele dentro do ginásio, haja vista a tietagem grande lá dentro). Hector sai correndo e pára Nalbert, pedindo para bater uma foto; Denise saiu correndo logo atrás dele e se colocou ao lado do grandão. E Nalbert esperando que a foto fosse batida. Eu, vendo aquilo, também fui atrás. Hector, então, avisa Nalbert: espera só um pouquinho que vem mais uma chegando aí. Coloco-me ao lado dele, que me olha com olhos arregalados. Carol chega e, enfim, estamos todos prontos para a foto. Neste momento, Hector pára, relaxa da posição de quem vai bater foto e fala: então, dá pra dar uma viradinha? ... Nalbert não entende nada. Hector: é que tem uma luz enorme ali atrás que está atrapalhando. Gentil, o jogador se vira. Eu, vendo o inusitado da situação, não agüentava de tanto rir (e, por isso, minha cara nessa foto).

Depois que Nalbert saiu, se despedindo e dizendo "foi um prazer", Hector olha desolado para a foto e diz: a boa notícia é que a luz não atrapalhou; a má notícia é que o Nalbert piscou.

La Défense Jazz Festival

Ontem foi o último dia do La Défense Jazz Festival, obviamente na La Défense. E somente ontem fomos conferir um pouco do que tinha por lá. A última apresentação do dia - e do festival inteiro - foi de Herbie Hancock (no vídeo abaixo, sentado ao piano). Um pouco da música que ele tocou, com os improvisos típicos do jazz:

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Desculpa o mal jeito do vídeo, mas como eu estava muito atrás (e o meu tamanho não é digno de ser chamado de "alto"), tive de esticar muito os braços para fazer o vídeo.

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Agora, depois de alguns dias aproveitando bem Paris, vem uma semana cheia de trabalho na BNF. Detalhe: a estação de metrô de lá está fechada para reformas. Terei de ir de ônibus, já que velib está totalmente descartada.

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Cris, minha amiga baiana, está indo embora. Esta semana ela parte com o marido para Louvain, na Bélgica, para um super concerto de rock. Em seguida ela volta para o Brasil. Aliás, muitas saídas da casa este mês; só do andar foram três embora.

domingo, 29 de junho de 2008

Corte de cabelo

Em geral eu não gosto de ir ao cabeleireiro: o som e o vapor quente do secador perto do rosto, uma pessoa puxando meu cabelo, escovas e pentes que não sei por onde passaram antes. Mas não tem jeito: de seis em seis meses a ida é obrigatória. Enfim, já fazia seis meses que eu não ia e o cabelo estava insuportavelmente cheio de pontas. Com o dilema a enfrentar ao explicar o tipo de corte em língua estrangeira, ficava me imaginando fazendo mil gestos para o cabeleireiro. Mas eis que aqui na Maison há muitas pessoas que são freguesas de uma portuguesa-francesa (ela nasceu em Paris, mas os pais são portugueses), que nos entende (supõe-se, por - teoricamente - falar uma mesma língua).

Fui lá na sexta-feira cedo. Ao contrário do carrinho de parafernálias que os cabeleireiros brasileiros têm, ela possuía apenas uma tesoura, um pente, uma escova, uma navalha e uma máquina. Tudo aglomerado em uma gavetinha bem pequenininha. Expliquei a ela como queria o cabelo: com medo do que estava por vir, pedi apenas para tirar as pontas e dar uma leve desfiada. Tirar as pontas ela entendeu, mas o desfiado não. Resultado: ela pegou o cabelo inteiro atrás (como quem vai fazer um rabo-de-cavalo) e deu duas tesouradas. Depois, deu duas cortadinhas na franja e secou o cabelo. Eu não entendi patavina. Repeti: e o desfiado? ... Cara de quem não entendeu. Repeti e pedi para fazer com a navalha. E a santa me faz com o cabelo seco! Enfim, saí de lá com aparência de quem não cortou o cabelo, apenas lavou; salvo uma ponta, que ficou sem ser desfiada. Tudo isso por: 28 euros!

sábado, 28 de junho de 2008

Aprendiz de Amélie Poulain


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Hoje tinha programado ir ao Museu Carnavalet (sobre a história de Paris) e depois à maison de Victor Hugo. Mudança de planos: fui andar de barco pelo Sena. O passeio é bastante agradável, especialmente com o dia bonito que fez hoje por aqui. No vídeo acima, observem a menina: chamei-a de aprendiz de Amélie Poulain. No Fabuloso destino de Amélie Poulain, a menina ganha uma máquina fotográfica e fica tirando fotos o dia inteiro. Neste vídeo, a jovenzinha não pára de tirar fotos de tudo o que vê, sem parar, literalmente, durante a viagem inteira (que dura cerca de 1 hora).

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Saindo do barco, no cais, eis uma imagem muito bonita: um menino brincando com dois cachorros. Ele fazia os cães pularem nas águas do Sena para pegar um brinquedinho. A imagem abaixo mostra o momento em que o cão pulou na água.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Melancolia

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Hoje fui assistir a uma ópera no Palais Garnier. Chama-se Melancholia, ópera em língua alemã. Diferente do que já havia visto deste gênero; muito pouco aliás. Aqui, uma pequena mostra do que vi. Não sei exatamente se gostei ou não, afinal, não entendo de ópera.
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Aqui já perto do fim do espetáculo, que durou apenas 1h e 45 minutos. Consegui fazer esses dois vídeos ilegalmente, pois é estritamente proibido filmar ou fotografar durante a apresentação. A peça, melancólica (óbvio, a julgar pelo título), é também um tanto lenta.
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Observação: não aparece nos vídeos, por conta do zoom, o jogo de luz utilizado. Interessante o recurso, pois dá a exata sensação de torpor, provocado pelo desespero. Ponto alto do espetáculo. Maiores informações sobre a ópera, baseada na vida do pintor norueguês Lars Hertevig, estão no site da Opéra de Paris.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Museu d'Orsay

Depois de quase quatro meses morando em Paris, finalmente hoje fui conhecer o Museu d'Orsay, o segundo mais importante da cidade. Até então morria de vergonha de dizer: não, ainda não conheço o Orsay. Ele já estava nos meus planos de primeiro domingo do mês, mas sempre dava errado. Pois fim, hoje fui, em dia pago.

O acervo de lá é invejável. E o museu, embora grande, muito menor do que o Louvre, é possível se familiarizar com sua disposição com duas visitas. Em uma única não dá para ver tudo: hoje fiquei três horas e meia e me dediquei, praticamente, às salas dos impressionistas e neo-impressionistas. Nos outros andares, passei rapidinho somente para tomar conhecimento do que realmente está lá disponível.

Enfim: Monet, Manet, Van Gogh, Matisse, Klimt, Gauguin, Cézanne, Renoir, Redon, Gaudí, Rodin, Camille Claudel, Carpeaux. Todos esses artistas e tantos outros têm obras dispostas pelo museu. Algumas muito conhecidas, como O quarto de Van Gogh, do próprio. Outros só para dar um gostinho e dizer que viu: do Klimt, por exemplo, havia apenas um quadro. Do Redon, apenas uns três ou quatro (os outros estavam em processo de restauração).

O museu é muito agradável. Ele foi, sobretudo, o único museu em que encontrei a planta e guia em português! E um garçom que, para fazer graça, disse: "Pode falar em português!"

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Fragments


Vi, agora há pouco na Bravo, a notícia de que Fragments, uma reunião de quatro pequenas peças de Beckett, sob direção de Peter Brook, está de passagem pelo Brasil (em julho chega a São Paulo). Esta peça esteve em cartaz aqui em Paris até abril, no Théâtre des Bouffes du nord. Por falta de informação, perdi. Pena não estar por aí para poder conferir o espetáculo.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Do jogo e da festa

Mesmo com a maioria esmagadora da torcida francesa, foram os brasileiros que vibraram mais no sábado à noite pela seleção masculina de vôlei (a contragosto de um locutor que tentava animar a torcida deles). O jogo foi fácil: apenas no primeiro set que o Brasil estava jogando mal e deixou a França avançar no placar. Em seguida, retomou o fôlego, virou e venceu por 31 a 29. Os outros dois sets foram tranqüilos, sem muitas emoções. Um francês, que estava sentado na minha frente, até nos parabenizou com um "bravo".

Em seguida, depois de cumprimentar alguns jogadores (especificamente: André Heller, Nalbert, Bruno e Anderson), fomos tentar ver a Fête de la Musique, que acontecia desde a metade da tarde. Quando chegamos perto do Sena (maravilhosamente lindo à noite), havia uma imensidão de jovens franceses, sobretudo, pelas ruas e pouca música. Algumas manifestações musicais isoladas, grupos dançando, outros sentados à beira do rio, nas pontes, nas escadas. O metrô funcionaria até madrugada para que a festa pudesse ser aproveitada.

sábado, 21 de junho de 2008

Fête de la Musique

Hoje começa o verão aqui. E como é o dia mais longo do ano, é o dia em que os franceses comemoram a Festa da Música. Haverá vários pontos na cidade em que ocorrerá a festa.

Mas é dia também de jogo da Liga Mundial de Vôlei. Brasil e França. E vários moradores da Maison vão ao estádio Bercy para assistir e torcer pela seleção masculina, inclusive eu. No Brasil, o único canal que transmitirá o jogo será o SporTv 2.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

La Défense






Hoje, depois de três horas de reunião com o grupo de pesquisa (nesta reunião, aliás, entrei e saí despercebida), fui com minha amiga Cris ao Grande Arco de La Défense para conhecer. La Défense é um bairro na periferia de Paris com um grande complexo comercial futurístico. Ele foi construído em linha reta com o Arco do Triunfo e com o Louvre. Li, dia desses, que lá será construída uma torre para concorrer com a Torre Eiffel e que ficará pronta em 2013.

Tinham-me dito que lá havia roupa barata. Que nada. Não há nada além de um shopping center gigantesco, com todas as características de um shopping.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Gentileza romana

Não sei se é verdade que os italianos são tutti buona gente, mas em vários momentos é possível perceber a gentileza dos romanos. Como a cidade não possui a enorme sinalização que marca a racionalidade parisiense, é preciso o tempo todo pedir informações, que não são negadas; ao contrário, são fornecidas com boa vontade e, às vezes, até com muita graça. Foram, em cinco dias, pelo menos duas as situações agradáveis pelas quais passei ao pedir informações.

A primeira foi exatamente no primeiro dia. À procura de um posto de informações para turistas, sem qualquer indicação em placas ou nos mapas que portava, dirigi-me a um policial que estava parado à porta de um estabelecimento qualquer. Ele não estava sozinho. Um outro homem, de seus quarenta anos, começa a falar daquele jeito característico dos italianos, gesticulando muito e em voz alta, apontando para uma placa na parede que indicava o estabelecimento público: "Nós somos este daqui; eles (e apontava para a parte de dentro do prédio) são este aqui." Em meio a risadas, só pude pedir que me indicasse um posto de informação para comprar o Roma Pass. Ele virou o policial de costas e falava: "Ele é a informação! Veja o que está escrito aqui!". Eu não podia parar de rir mediante situação tão engraçada e inusitada. Mas aos poucos ele se acalmou e me explicou direitinho onde deveria ir.

Outro momento foi no dia seguinte. Queria ir à Villa Borghese e à Galleria Borghese. Tinham-me dito para pegar o Tramway (trens elétricos) na praça. Fui e pedi informações ao condutor do tram.
- Onde você quer ir?
- Na Galleria Borghese.
- Sente perto da minha cabine que, quando chegar a parada, eu chamo vocês.
Sentei-me e fiquei ali esperando. Quando estava chegando perto do ponto de parada, ele abriu a porta da cabine, me chamou, parou o tram (não era ainda o ponto) e me explicou:
- Você segue por esta rua e no segundo semáforo vire à direita. No final da rua está a Galleria Borghese.
Em seguida, ele pôs o tramway para andar novamente até a parada.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Quem tem boca vai a Roma

Apesar da presença do Vaticano, Roma incita vários pecados capitais em quem a visita. A gula é o principal deles. Come-se muito bem por lá, em qualquer canto da cidade, e não é muito caro.

Vejamos os cardápios: pela manhã, um caffè macchiato e um pão recheado de chocolate; ou então, o caffè latte com um outro doce qualquer maravilhosamente recheado. Almoço: ou uma das várias massas ou uma deliciosa pizza italiana e individual. Depois, um espresso bem à italiana: curtinho, cremoso e forte. De janta, pode-se optar por pizza a taglio ou um calzoni. Tudo isso acompanhado de vinho italiano rosso ou bianco. Mas se der fome no meio da tarde, vá a alguma das milhares de sorveterias e peça um gelato. Difícil manter a forma por lá, não?! Nada que uma boa caminhada ao longo do Tibre não ajude a resolver.

Próximo ao Vaticano experimentamos dois restaurantes interessantes e com um bom preço: Ristorante Il Papalino e Ristochicco Restaurant, ambos na Borgo Piu, ruazinha cheia de restaurantes. O primeiro ainda oferecia um garçom siciliano bem divertido e que se despediu de nós com um ciao bella. Lá, é possível sentir o sabor da massa caseira. No segundo, apesar da comida realmente muito saborosa, era um tanto pesada: bastante azeite e bacon.

Não recomendo: nas redondezas do Coliseu, um restaurante chamado Angelino ai Fiori. Não pela comida, que era muito boa, mas pelo atendimento ruim: o garçom, mal terminamos de pagar a conta, disse para nos retirarmos. Este foi, aliás, dica do Routard.

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Por falar em Routard: inúmeras informações equivocadas no guia. Restaurante que já não existe mais, itinerário de ônibus errado, preço de museus desatualizado.

Passeios inevitáveis

Há alguns lugares dos quais não é possível fugir em Roma. Sim, todos os caminhos levam ao Coliseu, ao Forum Romano, à Basília de São Pedro, aos museus do Vaticano. E são lugares que vale a pena conhecer, ler um pouco sobre cada um deles, apreciar o que emana de cada um. Da representatividade histórica dos sítios arqueológicos até a força religiosa do Vaticano. Mas há um lugar que descobri pelos guias e que chama a atenção: a terma de Caracalla.

A terma foi construída pelo imperador Caracalla no ano 212. Um imenso lugar para o descanso do corpo e da mente dos romanos: lá havia banhos quentes (a água chegava a 55º C), banhos frios e banhos de vapor. Além dos banhos públicos, havia também lugares para passear e biblioteca para leituras. Mente sã, corpo são. Essa terma (ela não é a única de Roma) podia acolher, de uma única vez, mil e seiscentas pessoas e, por dia, mais de seis mil. Daí pode-se calcular mais ou menos a grandiosidade do lugar. Apenas o caldarium, uma sala circular onde eram tomados os banhos quentes, media 34 metros de diâmetro.

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É também possível desfrutar a capital italiana de forma gratuita: as igrejas e as praças. Em quase todas pode-se defrontar com esculturas e quadros de muito bom gosto e de valor artístico reconhecido. Na Igreja São Luís dos Franceses, que encontramos por acaso, há três quadros de Caravaggio. Na própria Basílica de São Pedro a decoração foi toda elaborada pelos artistas renascentistas: Canova e Barnini. Além, claro, de Pietà, de Michelangelo, lá exposta.

Primeiros comentários

Roma impressiona em vários aspectos. Assim, os comentários e narrativas da viagem não podem ser feitos de uma única vez. Vou fazer isso aos poucos, em meio à organização de meu retorno a Paris.

Os romanos da antigüidade eram megalomaníacos e construíram um império glorioso e grandioso. Hoje restam apenas ruínas desse tempo e Roma ainda vive à sombra do que foi outrora. Mas em todos os lugares em que se passeia na cidade é possível ver o tamanho da força deles: tudo é gigantesco, desde o conhecidíssimo Coliseu até as pouco conhecidas (e não menos grandiosas) termas de Caracalla, com direito a passagem pela maior basílica do mundo: a de San Pietro.

Foram muitos os lugares visitados, muitas as histórias pra contar. Vou pingando-as aos poucos, para não exagerar na dose...

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A volta para Paris não foi simples: por conta de uma greve de controladores de vôo na França (sim, aqui também há), o avião atrasou uma hora. Resultado: chegamos aqui 23h30 e perdemos o último ônibus para vir para a Cité U. Tivemos de pegar um táxi e chegar em casa depois da meia-noite.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Petite Pause

Últimos detalhes para viajar. Para poder levar bagagem de mão (e não pagar a bagagem despachada, a 7,50 euros cada trecho e cada mala), é preciso organizar tudo o que é líquido e pastoso em uma frasqueira transparente, que não ultrapasse 20 cm, com frascos igualmente transparentes e que não ultrapassem 100 ml cada. Por conta disso, encontrei um empecilho: o soro da lente de contato, o vidro pequeno é de 120 ml. Corri atrás, em várias farmácias, de um vidro menor. Eis que em uma encontro uma solução inteligente: uma caixa com 30 pequenos frasquinhos de 10 ml do tal soro. Caro, quase 18 euros, mas foi o que encontrei.

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Agora, uma pequena pausa no blog até a próxima quarta-feira, quando já estarei restituída da viagem e poderei atualizar as notícias por aqui.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Outra vez, um sonho

Eu e meus sonhos. Bem, dessa vez sonhei com a viagem a Roma: chegando lá, sem mais nem menos estou na Fontana di Trevi (que está em reformas, aparecendo apenas metade da fonte, enquanto a outra está com aquelas madeiras típicas de construção). Como ainda é muito cedo, quase não há turistas em volta dela e resolvo aproveitar para bater uma foto. Subo em um ponto bem alto e, ao descer, um menino vem correndo atrás de mim dizendo coisas em italiano (no sonho eu o compreendia perfeitamente). Eu me viro e pergunto: "Perché?" Ele me responde e continua seu trajeto na corrida (não parece uma cena de filme de Fellini?). De repente, me dou conta de que estou longe do albergue e preciso encontrar uma estação de metrô para chegar até o alojamento. Nisso, viro para Priscila e falo: "Isso é um sonho" (no sentido literal, de quem está dormindo e sonhando). Priscila completava: "Sim, isso é um sonho".

Preparativos

Esta semana, para mim, é curta. E ela foi dividida em algumas tarefas: pesquisa na BNF, descanço da viagem do final de semana e preparativos para a viagem a Roma. Tudo isso em quatro dias, pois embarco na sexta cedo para a capital italiana. Com isso, o imprevisto de que o tráfego de metrô está ligeiramente perturbado, desde ontem, me fez cancelar a BNF ontem para ficar em casa e organizar um pouco a próxima viagem.

Com a ajuda de dois guias (Routard e Michelin, este último emprestado de Pablo) e ainda do site Romaturismo, deu para organizar um pouco os cinco dias que ficaremos por lá, eu e Priscila. Além dos pontos tradicionais, como Coliseu, Forum Romano, Palatino, Vaticano, Fontana di Trevi, Galleria Borghese, dentre outros, tento descobrir lugares interessantes para visitar e que não fazem parte dos lugares-comuns de Roma. Aliás, difícil fugir disso. Previsão do tempo boa para a próxima sexta-feira 13: sol com nuvens esparsas, sem previsão de chuva.

Apesar da ante-véspera de viagem, tento me concentrar no trabalho. Hoje é dia de Biblioteca Nacional e sua inevitável maratona.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Saint-Malo


Saint-Malo é ainda mais impressionante que o Monte Saint-Michel. Talvez a vista do mar ajude a ter tal impressão de beleza constante. Localizada na costa da Bretanha, a cidade intra-muros foi quase que totalmente destruída em 1944, durante a 2ª Guerra Mundial. Posteriormente ela foi reconstruída, mantendo a arquitetura original das casas e, inclusive, reutilizando as pedras antigas.


A cidade fora da fortificação não fica atrás em graciosidade: as casas, muito mais modernas, são lindas e suas ruas são bem arborizadas. O porto possui grande importância, pois é um lugar estratégico para o transporte marítimo a outros países, como Inglaterra e Holanda.

Ontem, dia em que estávamos em Saint-Malo, não chegava a fazer frio (cerca de 20º C); no entanto, o vento do litoral gelava tudo. Isso não foi impedimento para alguns banhistas se deliciarem na água e se refestelarem nas areias que cercam os muros da cidade.

Fotos da viagem aqui.

Monte Saint-Michel

A vista da foto acima impressiona ainda mais quando é ao vivo: um monte glorioso construído no meio do nada. O Monte Saint-Michel foi um lugar de peregrinação e de retiro de monges beneditinos a partir do século X. A abadia que dá o charme principal ao monte foi construída pouco a pouco, ao longo de seis séculos. Ao sopé do monte, uma aldeia foi construída durante a Idade Média e sobreviveu ao tempo e às guerras devido ao acesso difícil ao lugar.

De arquitetura fascinante, as muralhas e fortificações resistiram ao ataque dos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos. O Monte Saint-Michel ocupa um lugar interessante na geografia francesa: fica entre a costa da Normandia e a costa da Bretanha; dele é possível avistar, de longe, cada uma. A baía, quando na maré alta, protege ainda mais o lugar; na maré baixa é possível caminhar por suas areias, com cuidado e guia, pois há lugares de areias movediças. Eu não fui, infelizmente, porque nem Letícia nem Chiara quiseram me acompanhar nessa empreitada.

A viagem não é curta: 5 horas de ônibus até Saint-Michel.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

L'Olivier

Ontem fomos jantar, eu, Pablo e Lívia, em um bistrô do 18º arrondissement, L'Olivier. Ambiente simpático apesar de barulhento, atendimento agradável e comida deliciosa (especialidades do sul da França). Todos os três pediram pato, com a diferença de eu ter pedido Confit de Canard e eles pediram o Filet de canard. Confit é uma parte da carne (no caso, a coxa) armazenada na própria gordura para poder ficar macia e suculenta; fundamental para o pato, que contém a carne seca.

Mas esse jantar veio a calhar, pois o dia ontem não foi fácil. Fui procurar a supervisora do Alexandre para conversar a respeito do Protocole d'Accueil; além de ela não saber exatamente o que é isso (argumento: ninguém nunca pediu isso a ela), não quis também tentar descobrir (entregou-me a carta de aceite e disse que não poderia fazer mais nada além disso). Por isso, depois de uma resposta como essa, comer bem é fundamental.

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Amanhã cedinho vou viajar para o Monte Saint Michel (foto acima) e Saint Malo. O blog voltará a ser atualizado na segunda-feira.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Rapidinhas

Ontem vi (não consegui ouvir patavina) a defesa do Alexandre, até a hora da deliberação. Neste momento a conexão caiu e não vi mais nada. Pena, pois não vi a coroação final. Vi também alguns amigos. Deu saudade.

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Ainda Alexandre: estou enrolada com o Protocole d'Accueil para ele vir pra cá. Nem ele nem supervisora sabiam que isso é preciso.

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Praga: Cris, minha amiga baianíssima, foi para Viena e Praga. Ao voltar, no aeroporto ela descobriu que a agência de viagens pela qual ela havia reservado a passagem (BravoFly) deu um tremendo de um calote (podemos chamar por este nome): a reserva dela estava para um horário e eles enviaram os dados diferentes para ela. De última hora, ela teve de pagar 330 euros para voltar para Paris. Agora está correndo atrás de reembolso, mas a empresa não atende ao telefone ou a ligação cai o tempo todo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Na mesquita


A mesquita de Paris fica muito perto da Paris III, onde eventualmente vou fazer pesquisa, mas somente hoje entrei lá. Além de templo maometano, é também um restaurante, casa de chá e casa de banho. Um prédio realmente muito bonito.


Fui hoje lá para ter duas horas de conversa com Alice, uma francesa cujo pai nasceu em Portugal, que quer aprender português e propôs uma troca: 1 hora de conversa em francês e 1 hora de conversa em português. Ótimo lugar para tomar um chá da tarde.

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Hoje é a defesa do Alexandre. Tentarei acompanhá-la on-line, por skype. Tomara que dê certo.

domingo, 1 de junho de 2008

E eis um novo mês

Como todo primeiro domingo do mês, hoje alguns museus da cidade abriram suas portas gratuitamente. A princípio eu iria no Musée d'Orsay, que ainda não conheço, mas um imprevisto me fez mudar de planos e fui ao Petit Palais com alguns amigos.

O acervo permanente do museu é maior do que se imagina ao entrar: lá a gente se perde em um labirinto de idas e vindas, passando por obras da Idade Média, Renascimento, séculos XVII, XVIII, XIX e início do XX. Alguns pintores conhecidos, mas nada que seja muito renomado. Ao lado, O Bom Samaritano, pintura de Morot que impressiona pela precisão e detalhes do corpo humano que fazem-na parecer uma foto.

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Depois do Petit Palais fomos beber uma cerveja belga na Académie de la bière. Detalhe importante: aqui em Paris as cervejas nunca vêm geladas. Lá na Académie é um lugar onde se encontra o chopp fresco (longe do nosso "estupidamente" gelado). Na sexta, por exemplo, no restaurante indiano a cerveja estava insuportavelmente quente.