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sábado, 31 de maio de 2008

Mangia che ti fà bene...

Hoje Chiara e Davide, dois italianos que trabalham com Letícia, vieram aqui para fazer uma vera pasta italiana: farfalle à carbonnara. Na carbonnara italiana vai apenas bacon frito e ovo. Simples assim.

Mas a sessão massa continua: na sexta retrasada, fiz uma massa para a francesa Florence e mais alguns amigos daqui. Capellini com frutos do mar, uma receita que peguei de um livro francês, que vai no molho o crème fraîche. Vraiment delicioso. Este creme, diferente de qualquer coisa que temos no Brasil, será uma grande falta que vou sentir quando voltar. Faço, aliás, um penne com brócolis e crème fraîche que fica uma delícia!

Meu reino por um cavalo!

Ontem demos o presente de aniversário de Letícia: uma noite por Paris. Fomos ao teatro de Bouffes du Nord (foto acima) e, em seguida, jantamos em um restaurante indiano próximo ao teatro. A peça que vimos foi Ricardo III, de Shakespeare, com uma peculiaridade interessante: adaptada para o mundo árabe contemporâneo e falada em árabe! Com legendas em francês.

Infelizmente, não me lembro de ter lido alguma das peças históricas de Shakespeare. Apenas sei o lugar-comum, a frase dita pelo rei na penúltima cena: "Um cavalo, um cavalo! Meu reino por um cavalo!" Interessante pensar nesse tipo de adaptação, com a referência direta do mundo islâmico naquilo que se pretenderia uma tragédia. Ainda ontem lia alguma coisa a respeito disso, um autor dizendo que as tragédias não se desenvolveram no mundo islâmico porque este é, por excelência, o único monoteísta (e as tragédias pressupõem uma crença politeísta). Mas a adaptação se sustenta, com algumas liberdades próprias da cena moderna. O que ajuda, claro, são as referências de guerras atuais no oriente médio, o que justifica e evoca o sentido trágico moderno do qual a peça lança mão. Ou, como escreve o diretor da peça no programa: "Como nas tragédias de Shakespeare, o Oriente Médio moderno oferece uma variedade de exemplos de 'como não governar'. Imperialismo moderno, tirania, barbárie, opressão, complôs, assassinatos e guerras civis se tornaram tristemente mais regra do que exceção no Golfo."

Mas não apenas essa transferência de referências torna a peça interessante, mas a mise-en-scène num todo: um jogo de teatro, TV e música árabe. Além disso, projeções em uma parede de vidro, que vinham tanto da parte de trás do palco quanto da frente, davam uma dinâmica à peça. A projeção que vinha da parte de trás ora evocava um coro, ora mostrava "os bastidores" da trama, que tinham necessariamente de ser suprimidos da cena principal. Por outro lado, ver e ler ao mesmo tempo cansa, especialmente quando não se reconhece uma única palavra do que está sendo dito no palco. O tempo todo tínhamos de ficar preocupados em acompanhar os passos das personagens com a legenda. Sem falar que algumas vezes eu me sentia em Lost in translation: uma enorme frase dita pelo ator e uma frasezinha bem pequenininha traduzida... Outra dificuldade foi o próprio vocabulário, com muitas palavras de que eu nunca tinha ouvido falar.

Observação importante: Bouffes du Nord é um teatro atualmente dirigido por Micheline Rozan e, nada mais nada menos, Peter Brook. Este é o diretor mais conhecido atualmente. Até abril estava em cartaz uma peça dirigida por ele, Fragments, mas sequer fiquei sabendo disso. No início, até descobrirmos os lugares, é isso mesmo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Comédia Francesa

Eu tinha comprado já há tempos ingresso para o espetáculo Penthésilée, de Heinrich von Kleist, em cartaz até dia 1º na Comédie Française. E, no entanto, há uns dias tinha visto no site que a apresentação do dia de hoje tinha sido cancelada e substituída por Juste la fin du monde. Apesar do aviso de cancelamento, nada dizia sobre o que devia ser feito com o ingresso comprado. Bem, pensei comigo que os lugares seriam automaticamente transferidos.

Hoje fui lá esperando qualquer coisa. Pensei que iria assistir ao outro espetáculo, pensei que poderia trocar por outro dia de apresentação. Enfim, cheguei e o lugar já estava ocupado. Fui até a bilheteria e a senhora do guichê, nada paciente, perguntou-me se morava em Paris e se havia conta bancária aqui. Respondi que sim. Ela, então, disse-me que enviaria um cheque para o meu endereço com o valor do reembolso. Em nenhum momento ela perguntou se eu queria assistir à outra peça ou se queria ingresso para outro dia.

Evolução

Hoje fui pegar a minha carte de séjour, no mesmo lugar onde fiz o exame médico. Inevitavelmente, para chegar até a Bastille, preciso passar pela Châtelet. Eis que andando lá pelo labirinto, uma senhora me pára e pede informação de como chegar em tal lugar. Nem titubeei: falei qual trem ela deveria pegar e a direção correta. Evoluí, não?!

*****

Comprei as passagens para o sul da França. Em agosto, quando completo anos, faremos, eu e Alexandre, uma viagem por Marseille, Cassis, Avignon, Aix-en-Provence, Toulouse e Carcassone. Consegui umas promoções no site da SNCF, de modo que saiu bem barato ida e volta. De 20 a 28 de agosto.

domingo, 25 de maio de 2008

Festa na Cité Universitaire

video

Desde sexta-feira acontece, aqui na Cité Universitaire, uma grande festa. Cada casa prepara uma apresentação especial e oferece aos visitantes o que pode oferecer de sua cultura. O dia de participação da Maison du Brésil foi hoje.

Muito trabalho, muita dedicação, mas o resultado foi ótimo: para vender teve feijoada, escondidinho de carne seca, pão de queijo, bolo de queijo, bolo de cenoura, bolo de chocolate, brigadeiro, beijinho, casadinho, guaraná, Skol e Brahma Chopp, além da tradicional caipirinha, claro. Tudo embalado por samba e muita gente dançando ao ar livre.

Ontem houve uma festa mais geral: no grande gramado, atrás da Maison International, música eletrônica da meia-noite até às 5h da manhã (era o previsto). Muita gente numa festa a céu aberto.

No vídeo, Cris e Thiago num show à parte de samba de gafieira.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Paralisação

Hoje é dia de paralisação nacional. A Comédie Française cancelou a apresentação do espetáculo de hoje; há aviso nas estações de metrô que o tráfego não será normal e haverá suspensão de algumas linhas. Com tudo isso, desmarquei e depois remarquei meu lugar na BNF. O máximo que pode acontecer é eu não conseguir chegar lá. Aliás, ontem não havia nenhum aviso na biblioteca se ela funcionaria ou não hoje.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Fim da novela

Hoje foi o último capítulo da novela Carte de Séjour. Fui fazer a consulta médica obrigatória para imigrantes. Tudo foi muito tranqüilo: na primeira parte, verifica-se peso, altura e visão; em seguida, eles fazem um raio-x do pulmão. Por fim, a consulta médica propriamente dita, em que o médico vê a pressão arterial, vê o raio-x e faz uma série de perguntas. A médica que me atendeu, extremamente simpática, falava português! Conhece o Brasil, adora o Brasil e vai para a Amazônia em setembro, ver os botos. Conversamos em um misto de francês e português.

Na sala de espera, uma chinesa puxou conversa comigo. Perguntou-me se eu estava aqui há muito tempo, de onde era, onde morava, o que fazia. Em seguida, perguntou-me se eu tinha muitos amigos e me convidou para um café no sábado! Falei que tinha um compromisso com o grupo de pesquisa do qual faço parte (é verdade) e, por outro lado, convidei-a para vir à Cité U este final de semana, pois haverá a festa da Cité, com as portas das maisons abertas para receber visitantes e divulgar as culturas. Ela me disse que quase não tem amigos aqui em Paris e quer fazer amizade... Entendendo bem o que se passava com ela, passei o meu e-mail para ela entrar em contato comigo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Agora, da viagem


Vamos lá, agora, falar da viagem do final de semana. Dos dois dias, o segundo foi o mais interessante, que pôde-se aproveitar mais. O motivo é simples: os destinos são bem melhores.


No sábado fomos direto para o castelo de Cheverny, que é uma propriedade particular; um tipo de propriedade que ainda ostenta uma grandeza e luxo de uma época que já vai longe. O castelo em si não é muita coisa (até porque está mais para uma grande propriedade), mas os jardins são belíssimos. Saindo de lá, fomos a Blois, cidadezinha já comentada aqui abaixo. O castelo de lá também não apresenta muita coisa, a não ser pelo fato de ter sido contruído em três épocas diferentes. Mas o pior desse tipo de viagem são as visitas guiadas: perde-se tempo ouvindo as explicações e não é possível apreciar a visita em si.

No domingo, pela manhã fomos a Chenonceau, o castelo que realmente parece um castelo: com direito a torres, grandes salas e quartos de rainhas; ele foi construído sobre as águas de um rio e lembra muito os castelos das histórias infantis. Não foi à toa que pensei muito em Maria, minha afilhadinha. Depois do almoço fomos para Amboise, uma outra cidadezinha muito simpática. Lá, ao invés de irmos ao castelo (já estávamos cheias de castelos), fomos na casa de Leonardo Da Vinci, última casa onde ele morou e foi onde ele morreu. Da Vinci não era nada bobo, a considerar a casa onde morou.

Fotos aqui no álbum.

Reencontro inusitado (2)

Notícia quentíssima: chegou gente nova no quarto da Nashira hoje. Mas não é só isso...
Eu estava chegando da BNF e eis que vejo uma pessoa com um rosto conhecido para pegar o elevador. Então, ela também vem parao 5º andar. Fiquei pensando: "É ela ou não é?" Eis que Rhelen me informa que a menina é de Campinas. Não tive dúvidas! Fui ao quarto dela e perguntei: "Você é a Maíra?"
Resumo da ópera: ela estuda lingüística na Unicamp e fez um curso comigo há dois anos atrás. Agora, ei-la aqui no mesmo andar que eu, na Maison du Brésil, em Paris!

Reencontro inusitado


Fomos, neste final de semana, para quatro castelos do Vale do Loire: Cheverny, Blois, Chenonceau e Amboise. Blois (foto acima), cidadezinha simpática e agradável do vale, foi cenário de um reencontro mais do que imprevisível e inusitado: estávamos nós (eu, Letícia, Priscila e Chiara) descansando em um jardim quando vejo um rapaz... era nada mais nada menos do que Fernando, que fez o 1º semestre do curso de francês comigo na Aliança Francesa de Barão Geraldo: isso em 2006!


O que aconteceu: ele já está aqui na França há quase 2 anos, mas mora em Lille. Eu cheguei perto dele e perguntei: "Você não lembra de mim?" - "Claro!" Mas o mais incompreensível disso tudo é que tenha sido em Blois! Se fosse em Paris ainda vá lá, pois a cidade não é tão grande e seria até compreensível, mas numa cidadezinha lá no meio de vale, foi realmente interessante.

Daqui a 15 dias ele virá morar em Paris. Poderemos fazer um super-reencontro: eu, ele e Daniel, que também estudou conosco naquela época e mora aqui em Paris. Malu, você não quer vir?

Novidades

Há algumas notícias a serem colocadas neste blog. Tentarei fazê-lo em partes, para não entupir uma única postagem. A começar de trás para frente...

Sexta-feira teve um concerto musical aqui na Maison du Brésil. Foi a ocasião em que conheci Florence, uma jovem francesa de Toulouse; um doce de pessoa. Conversamos muito até depois da meia-noite. E, de fato, voltei para casa pois deveria acordar às 4h30 da manhã para ir viajar, mas parece que o grupo com quem eu estava continuou a noitada até bem mais tarde. Como ela mora aqui mesmo na Cité U, não faltará oportunidade para conhecê-la melhor. Ela, inclusive, irá para Saint-Michel e Saint-Malo conosco em junho.

Sim, fiz reserva de viagem para uma excursão, pelo mesmo Club International de Jeunes à Paris, para visitar o Monte de Saint-Michel e a cidade fortificada de Saint-Malo. A viagem será no final de semana de 7 e 8 de junho.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Selos em tabacarias

Para completar a burocracia da carte de séjour, antes da visita medical é preciso comprar o selo (timbre) de 55 euros. Onde encontramos? Em tabacarias! O chamado "tabac". Hoje fui atrás disso, já que na terça terei a visita medical logo cedo. Cristiane foi comigo, pois ela precisava ir à Place d'Italie.

No caminho, entrei em um tabac e perguntei do timbre. O senhor, muito simpático, viu em sua pastinha que ele não tinha mais. Um jovem ao seu lado murmurava: "São espanholas?" (Eu espanhola? ha!). Na saída eu ouvi o senhor perguntando se éramos da Espanha. Falei que éramos brasileiras. Os dois, o senhor e o jovem, simultaneamente, soltaram um grito de contentamento seguido da palavra "Brésil!" que foi incompreensível para mim e Cris. Ficamos um tanto aturdidas com tal atitude, ainda mais quando o jovem colocou as duas mãos no rosto e falava "brasileiras, brasileiras"; depois, saiu correndo para a calçada, onde estava um outro grupo, pulou no pescoço de um e ficou falando frases inaudíveis para nós, que já continuávamos nosso caminho...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Vida comum

Poucas novidades esta semana vindas daqui e uma triste notícia vinda do Brasil me fazem ficar calada por alguns dias. O falecimento do orientador do Alexandre foi uma dura notícia ontem.

Pois bem, a vida aqui em Paris também sabe ser monótona. Maison/BNF/Maison. Sim, aqui há rotina! Mas, para quebrá-la, irei finalmente fazer a minha primeira viagem em terras francesas: vou, este final de semana, aos castelos do Vale do Loire, já noticiado aqui anteriormente. Por isso, sábado e domingo não haverá expediente neste blog.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Semana Grega

Ontem, apesar do feriado aqui, iniciou-se na École Normale Supérieure a Semana Grega: o mundo de Édipo. Fomos ver a encenação da peça Édipo Rei, de Sófocles, pelos alunos da École; em seguida, a intervenção do tradutor da peça para o francês: J. Bollack.

A encenação da peça foi ao ar livre. Houve alguns problemas, como o sol insistente, pontos cômicos realmente deslocados e uma Jocasta realmente fraquinha. Mas não dá para ser muito exigente se a intenção é de amadores. Um dos pontos altos da peça foi o coro, cantado e muito bem pensado, que contava com a presença de um maestro.

domingo, 11 de maio de 2008

Em um filme de David Linch

Fomos hoje para uma vilazinha ao norte de Paris: Auvers sur-Oise, lugar onde Van Gogh morou. Tudo pareceu-me meio insólito e a sensação era de, constantemente, estar participando de um filme de David Linch.

Assim que descemos do trem que nos levou da Gare du Nord para Valmondois, estação onde deveríamos fazer uma baldeação, já parecia tudo muito esquisito: o tipo de estação (parecidas com aquelas que temos no interior de São Paulo, como resquícios da vida do final do século XIX e início do XX), tudo muito vazio, sem pessoas, uma região campestre. Ao descer, então, na estação de Auver sur-Oise (foto acima), parecia-nos tudo muito esquisito, duas ou três pessoas que desceram do trem além de nós, sem indicações; na cidade, muitas coisas fechadas. A despeito da atração turística, quase não havia pessoas nas ruas.

Nos dirigimos ao castelo. No meio do caminho, em frente à casa de Van Gogh, uma mesa com uma jarra de vinho, duas taças pela metade e ninguém sentado. No castelo, parecíamos baratas-tontas: não encontrávamos a entrada, não havia informações. Até que conseguimos finalmente entender a mecânica da coisa: tínhamos de pegar um fone de ouvido no qual ouviríamos uma narração e músicas que acompanhavam as apresentações de vídeo de dentro do castelo; a gravação também indicava onde deveríamos ir, por onde passar. Nada muito empolgante, nem o castelo era muito bonito.

Na volta, o mais inusitado. Queríamos um sorvete. Fomos até um bar que vendia sorvetes artesanais; como ninguém nos atendia, fomos a um outro bar. Como lá também ninguém nos atendia, voltamos ao primeiro. Um senhor veio e nos disse: "Désolé, mas não há ninguém para preparar o sorvete para vocês neste momento. Talvez daqui a meia-hora". Nos olhamos uns para os outros e tudo o que pudemos pensar naquele momento foi em voltar para casa. Na estação, literalmente desolados, não havia indicação alguma de horário de trem. E novamente a cena de filme de David Linch: do outro lado da estação há muita gente; fico de costas e, ao me virar novamente, todos sumiram! Fui até os trilhos e olhava o horizonte: nem sinal de trem. Depois de uma hora esperando na estação, surge no visor a indicação de quem o trem passaria dali a um hora.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

8 de maio de 1945


Hoje é feriado por aqui: dia da desocupação da França pelos alemães (ou, como dissemos para Esther, a alemã do andar: o dia em que os alemães perderam a guerra). Enfim, dia bonito, feriado prolongado (segunda-feira também é feriado), eu e Cristiane fomos bater perna pelo Marais.


Marais é um bairro conhecido por três características: é o bairro dos judeus, dos artistas e dos gays. E lá fomos nós em nossa incursão para a Place des Vosges. Ficamos costurando as ruas, andando, entrando nas lojas, descobrindo o bairro. Entramos em lojas de sapatos, em sebos, em lojas de brinquedos, de vinhos... até que chegamos ao lugar desejado: a Place des Vosges estava lotada de gente sentada no gramado tomando sol! Demos uma volta no square, passamos pela Maison de Victor Hugo e voltamos. Antes, claro, tomamos um sorvete na simpática Île de Saint-Louis e, por pura gula, comemos um lanche no Subway (para lembrar um pouco a vida de Barão Geraldo).

A primavera por aqui é fantástica: todo mundo sai de casa em dias de sol como o de hoje e vai aos parques tomar sol e ficar esticado na grama. Há de tudo: famílias inteiras que vão fazer piquiniques, casais que namoram desinibidamente no gramado, crianças que rolam na grama, velhinhos que passeiam. É uma imagem muito simpática.

A foto acima é da Notre-Dame vista dos fundos, na travessia da Île de la Cité para a Île de Saint-Louis, duas ilhas no meio do Sena.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Chefe de cozinha

Não, ninguém aqui virou chef. Apenas me refiro à nossa generala da cozinha coletiva do 5º andar: Letícia. Nashira, você foi embora, mas deixou uma boa sucessora. Domingo foi feita uma reunião na cozinha, especialmente para os novatos, explicando as regras de boa convivência do ambiente coletivo; ela também chamou os novatos para fazer a limpeza mensal. E, hoje, estava no quadrinho branco: "Seria bom para todos que ninguém deixe comida no ralo da pia".

terça-feira, 6 de maio de 2008

Boa nova

Uma ótima notícia que chega do Brasil: Alexandre marcou sua defesa de doutorado para dia 4 de junho, às 13h, na sala de defesa de teses do IEL. Agora, só falta comprar as passagens São Paulo/Paris/São Paulo. Voilà Alexandre em terras francesas.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dois meses

Cheguei aqui há dois meses. Nesse tempo, qual o balanço de tudo? Vejamos:

- Lingüístico: estou mais acostumada a ouvir os parisienses, que falam deveras assoviado. Por outro lado, o meu , bonjour e merci estão irretocáveis. Ainda estou tentando me acostumar ao chépas (je ne sais pas).

- Geográfico: já passei por quase todos os arrondissements de Paris, mas não conheço nada da periferia. Sei andar de metrô e ônibus tranqüilamente, desde que não seja preciso passar pela estação Châtelet. Me localizo facilmente com a ajuda do Sena.

- Cultural: ainda não descobri muito bem os sebos, apenas os de culinária. Fui a poucos museus, mas Paris não se restringe a eles. Também fui ao balé e ao teatro; comprei poucos livros, sendo dois de receitas.

- Acadêmico: o trabalho começa a engrenar. Já estou acostumada aos procedimentos de entrada da BNF. Estou cada vez demorando menos entre a chegada e o início do estudo (varia de 15 a 20 minutos).

Brincadeiras à parte, fora as várias etapas de adaptação, a permanência em um país estrangeiro pode ser enriquecedora em vários aspectos. Paris é uma cidade paradoxal, como todas as grandes cidades: tem seu lado glamouroso que todo mundo conhece pelo menos de ter ouvido falar, mas também tem seus momentos difíceis. Possui uma oferta enlouquecedora de atrações culturais, turísticas e acadêmicas, mas por outro lado tem a dificuldade da demanda exagerada: para tudo é preciso se programar com muito tempo de antecedência.

Se por um lado não tenho a desvantagem de ser turista e estar por aqui apenas de passagem, afinal 1 ano é bastante tempo, por outro não tenho as vantagens de um residente definitivo da cidade, nem de um nativo. No entanto, há facilidades surpreendentes mesmo para estrangeiros: ajuda financeira para pagamento de aluguel, transporte barato com a aquisição do passe Navigo, entrada gratuita em vários museus todo primeiro domingo do mês, entrada gratuita em tantos outros museus (os municipais). Enfim, um sem-número de situações pelas quais é possível passar e aproveitar muito. Fora alguns momentos realmente complicados pela estatura de estrangeira-residente, as coisas estão fluindo bem, eu acho.

Academicamente, principal motivo pelo qual me encontro aqui, as coisas estão indo um pouco devagar ainda para o meu gosto. Mas em breve pretendo conseguir um ritmo digno; a idéia de poder aproveitar as bibliotecas de Paris se expande toda vez que olho o catálogo da BNF. Por outro lado, agora é época de exames e logo vêm as férias: por isso, ainda não consegui participar de nenhum encontro do grupo da Paris III. E provavelmente só depois de setembro.

O próximo balanço farei somente no final da minha estada por aqui, assim poderei comparar bem como eu cheguei e como saí. Espero que os pontos positivos sejam muito maiores que as desvantagens. Torcemos.

domingo, 4 de maio de 2008

A Megera Domada


O espetáculo de hoje, A Megera Domada, peça de Shakespeare, foi na Comédie Française. A mise-en-scène usa a tradução para o francês de François-Victor Hugo, com uma apropriação bastante moderna de seu texto e que funciona perfeitamente. Não há anacronismos na encenação, nem excessos. Com um ritmo rápido, interpretações irretocáveis, as três horas de apresentação passam deveras rápido (há um entreato de 15 minutos).


Tudo impressiona na peça: o cenário que, embora simples, é genial; os figurinos que são representados por espelhos (é difícil explicar como eles fizeram aquilo: usaram as costas do espelho para colar desenhos que figuravam um figurino de época, embora as roupas fossem normais); a música e o acompanhamento de percussão em todos os momentos da peça e que valoriza os gestos dos atores, bem como intensiva a comicidade de algumas cenas. Para minha primeira peça em terras francesas, acho que comecei bem. Mas, além da Comédie Française, é difícil achar um espetáculo teatral por preço tão em conta; o Théâtre du Soleil, por exemplo, custava 50 euros (as duas partes do espetáculo, que encerrou no dia 20 do mês passado e que eu, infelizmente, perdi).

sábado, 3 de maio de 2008

Mats Ek

Mats Ek é o coreógrafo sueco do espetáculo de hoje que vimos, eu e Pablo, no Palais Garnier. Coincidentemente, os lugares eram lado a lado. Explico o "coincidentemente": uma amiga minha, daqui da Maison, me ofereceu um ingresso para comprar, pois ela estaria em Londres na data. No mesmo dia, Pablo comentou que ele tinha comprado um ingresso para um espetáculo no Palais Garnier para 3 de maio. Resolvi e comprei da Cris; combinei com Pablo e nos encontramos na frente da Opéra. Eis que fomos ver os lugares: lado a lado. Se eu não tivesse comprado o ingresso da Cris, ela conheceria Pablo hoje.

Foram duas partes do espetáculo: a primeira era baseada na peça de Garcia Lorca, A Casa de Bernarda (Alba); a segunda chamava-se Une sorte de... A foto ao lado é da primeira parte da apresentação, um balé dramatizado. Mas a melhor parte foram as do primeiro bailarino (que fazia o papel de Bernarda), Manuel Legris, e da Servente da família, Marie-Agnès Gillot. O melhor da apresentação veio depois: a segunda parte do espetáculo era mais ágil, com uma coreografia mais bonita, um cenário composto de móbiles visualmente simples e práticos, mas bastante eficientes.

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Na volta do Palais Garnier peguei um ônibus para voltar pra casa e passei pelo centro de cidade. Paris está linda, com uma temperatura agradável (logo começa a ficar quente demais) e repleta de turistas.

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Chegaram os bilhetes de trem que reservei para Amsterdã, para mim e Alexandre. Vamos dia 25 de julho e voltamos dia 28. Saiu, para os dois, 100 euros. Achei o preço ótimo e a época é boa: verão, sol, flores abertas.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pequena saga

Ontem foi uma das noites mais desastrosas até então aqui em Paris. Um grupo resolveu ir a um bar, no 20º arrondissement (diga-se de passagem: bem longe de onde moramos), onde toca música irlandesa. Fui convidada e resolvi ir junto. Além de ter de passar pela pior estação de metrô daqui, a já conhecida Châtelet, ainda andamos uns 15 minutos até chegar ao bar.

Acontece que três dos integrantes do grupo resolveram parar para comprar cerveja e foram bebendo. Ao chegar no bar, um senhor que estava na porta nos impediu de entrar: "O bar está cheio. Além disso, vocês estão bebendo alguma coisa que eu não sei o que é. Não sei o que vocês beberam antes". Estupefatos, tentamos ainda uma vez conversar com o intransigente guardinha.

Sem sucesso nessa empreitada, nos dirigimos a um outro bar não longe dali (com uma pausa no meio do caminho para os famintos se alimentarem). Eis que lá chegando, o bar estava fechado. Resultado? Apenas um passeio pelo último arrondissement de Paris.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Primavera de 68

40 anos do maio de 68. Muitas coisas juntas: a leitura de um livro que se reporta diretamente a este movimento, estar no exato local onde tudo começou e em uma época apropriada. Tudo isso junto provoca algumas sensações.

E hoje, 1º de maio, foi dia de manifestações aqui em Paris: de manhã foi o movimento da extrema direita; agora à tarde foi a manifestação da esquerda. Um pequeno grupo daqui da Maison foi para poder acompanhar de perto a passeata vespertina: ela saía da Praça da República e ia em direção à Nation. Não é uma grande caminhada: uma avenida reta e plana.

Na manifestação tinha de tudo: pela libertação de países ocupados ilegalmente pela França, pelos imigrantes ilegais, contra Sarkô principalmente. Várias tribos: roqueiros, colombianos, franceses, latinos, pró-Tibet etc. Fomos passando por cada uma delas até a Nation. Parecia um desfile de carnaval brasileiro: as escolas de samba e seus carros alegóricos; mas com teor político-social. Um pouco decepcionante: esperava uma passeata com objetivo único, ou menos pluralista, com um líder acompanhando tudo. Idealismo demais? Ao chegar na Nation, por exemplo, não havia nada que reunisse os vários grupos, nenhum sinal de homogeneidade entre os manifestantes; ao contrário, todos dispersavam-se. Um grupo cantando o hino comunista, outro com música árabe...

Ficarei atenta para ver se há outras manifestações em comemoração ao maio de 68. Enquanto isso, continuo acompanhando a saga de Tereza e Tomas em Praga e Zurique.