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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano Novo

A todos os amigos, (des)conhecidos e parentes que dão uma passada eventual por este blog, desejo um Feliz Ano de 2009!
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Por aqui teremos um jantar de confraternização, na cozinha do 5º, com um grupo de aproximadamente 15 pessoas. Em seguida, sairemos para passar a virada nas ruas geladas de Paris. Para garantir a segurança de todos (já que Sarkô reenviou recentemente tropas para o Iraque e a França se tornou, então, bastante visada), a prefeitura colocou um número bastante significativo de policiais nas ruas, além de proibir o trânsito em torno da Champs-Elysées e da Torre Eiffel (os lugares onde há maior número de aglomerações, algumas centenas de milhares de pessoas são esperadas!). É expressamente proibido circular com garrafas nas mãos e, bien sûr, bombas. Talvez por isso não haverá fogos de artifício. E para garantir que todos possam voltar para casa, o transporte coletivo (ônibus, metrô, tramway e RER) será gratuito de hoje - a partir das 19h - até amanhã ao meio dia! Haverá um super-esquema de transporte: metrôs que funcionarão a noite inteira, freqüência das linhas de RER e as linhas de Noctilien (ônibus noturnos) para a periferia. Tudo tem de sair perfeito, afinal de contas, aqui é Paris!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Colis suspect

Colis suspect é uma palavra-chave aqui. Ela significa: pacote suspeito. Suspeito de quê?! De bomba, oras. Há avisos por toda parte: fiquem atentos! Se você encontrar algum pacote suspeito, avise a segurança imediatamente. Com isso, muitas vezes os metrôs ficam parados, há evacuação de shoppings, lojas e... biblioteca. Hoje, ao chegar na BNF, a primeira coisa que o atendente me disse: há um colis suspect, prepare-se! Evacuaremos as salas... houve telefonemas, cochichos. Fiquei olhando, mas as horas passaram e não fomos retirados da biblioteca. Alarme falso, como na grande maioria das vezes.

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E ainda na biblioteca: eis que olho pelo vidro e vejo flocos de neve caindo. Pena que, ao encontrar o chão, os fracos floquinhos se desfaziam e viravam apenas uma marca molhada. E eis que chegando na Cité, parte do chão estava coberto de gelo; algumas partes escorregadias. Para amanhã, dia da virada, também há previsão de neve.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Papo de metrô

Eu gostaria de perguntar aos franceses qual é o método que eles usam para aprender o português tão facilmente! Essa constatação não vem do nada, mas de observações diversas, já que conheço alguns franceses que falam muito bem o português. E mais o de hoje... Estávamos no metrô, voltando para casa depois de trabalhar na BNF, eu e Alexandre conversando naturalmente. Do nada:
- Brasileiros?
O primeiro pensamento que veio foi de que era um turista perdido, querendo ajuda e vendo um oásis no deserto. No entanto, a voz era estranha, com um sotaque. Vimos um rapaz que dirigia a palavra a nós:
- Sim.
- A minha namorada também é brasileira e ela me ensinou o português.
- E você é francês?
- Sim, eu nasci na França (ele ficou reticente em dizer se era francês. A primeira resposta foi que o pai é da Argélia e a mãe, francesa).
- Mas você já foi para o Brasil?
- Não, mas eu vejo a novela toda noite, pela internet. Quando eu durmo, eu sonho com o Brasil.
(Risos)
- Vocês sabem o que os brasileiros falam dos franceses? - perguntou o rapaz.
- O quê?
- Que francês não toma banho... só usa perfume... (e cai na gargalhada). Perguntamos se era verdade e o rapaz foi categórico: não, não é verdade! Mas aqui faz muito frio.
E o rapaz continuou falando do Brasil, da namorada, o que ele conhece do nosso país:
- Eu adoro a música brasileira. Eu conheço pagode, funk... (nem vou citar os grupos musicais aos quais ele se referiu). E eu gosto mesmo é de mulher brasileira, não gosto das francesas. Mas a mulher brasileira é difícil, é ciumenta!
Claro que a conversa não foi exatamente nessa ordem, nem com essas palavras. Ele usava várias palavras em francês, mas para alguém que aprendeu com a namorada e nunca foi ao Brasil, o português dele era muito bom! A conversa, no entanto, foi interrompida pois a nossa estação tinha chegado e tivemos de descer. E o primeiro pensamento em comum ao descer: mais um post para o blog...

Preparativos

Começo a pensar no que faremos no Réveillon. Sei que o sonho de muitos é passar uma virada de ano em Paris; mas fora o glamour que ronda a Cidade Luz, devo dizer: não haverá queima de fogos por aqui e... teremos de encarar um frio de -3ºC se quisermos ir para a rua ver alguma coisa (que ainda nos é desconhecida). A idéia é passar a virada com alguns amigos, ver a provável festa pela cidade. No entanto, esqueçam o glamour: voltar para casa de RER lotado até o último centímetro quadrado não é nada chique. Mesmo assim, sair e ver a cidade é a melhor opção; antes isso do que ficar trancafiado na Maison du Brésil.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Iluminação natalina

Para mostrar um pouco como está a iluminação de Natal em Paris. Vídeo emprestado do site da Prefeitura de Paris.

Paris vous souhaite de belles fêtes !
envoyé par mairiedeparis

Lições de um inverno recém-chegado

Resolvemos, hoje, atravessar a cidade e ir ao 19º arrondissement para conhecer o Parque de la Villette, ponto extremo da cidade contrário ao que estamos. E foi lá que tivemos duas grandes lições: 1ª) O inverno apenas está chegando; 2ª) Os nossos acessórios (cachecóis e luvas) não são suficientes para o que está por vir. Com temperatura bem baixa, de aproxidamente -1ºC, tudo parecia congelar: as mãos, o nariz, o queixo, as orelhas, os pés. Dentro da bolsa, tudo estava gelado, desde a máquina fotográfica até o guia Routard de Paris. Depois da Villette, fomos ao Buttes-Chaumont, que Alexandre ainda não conhecia... e eis a surpresa: o lago do parque está congelado! Na foto acima, há patos que estão na água que ainda não congelou e há patos em cima do gelo. Abaixo, um rápido vídeo do Alexandre jogando uma pedra no gelo (queríamos ver se o gelo era fino ou grosso). De lá, viemos correndo pra casa para poder tomar uma bebida quente e aquecer o corpo.

video

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Joinville

Joinville foi a cidade onde cresci. Ela se orgulha de ser a "Cidade dos Príncipes", pelo fato de suas terras terem sido dote de casamento da Princesa Dna. Francisca com François-Ferdinand-Philippe d'Orleans, Príncipe de Joinville - embora nunca nenhum príncipe tenha pisado em suas terras. E daí o seu nome, homônimo de uma cidade francesa. Eis que hoje, em uma visita ao Museu da Vida Romântica, me deparo com o quadro ao lado, retrado de Dna. Francisca, pintado por Ary Scheffer. E o nome da tela: A Princesa de Joinville; mas este nome não se refere à cidade catarinense, não. Em seguida, as explicações: nascida Dona Francisca de Bragança, princesa do Brasil, filha do Imperador D. Pedro I, casou-se aos 19 anos com o príncipe e veio com ele para Paris aos 20 anos, em 1844. E foi na própria casa que hoje é o museu onde ela posou para Scheffer.

Posted by Picasa

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É Balbina, meu amor

Ontem passamos por uma situação um tanto inusitada. Alexandre tinha marcado para cortar o cabelo com uma cabeleireira brasileira, por indicação de Tadeu. Foram dois os fatores que influenciaram sua escolha: ela fala português e o corte era mais barato do que o habitual por aqui. Chegamos lá e nos deparamos com uma figura: Balbina é baiana e vive a 33o por hora; ela não parava um minuto (nem de andar, nem de falar). Simplesmente, ela atendeu quatro clientes ao mesmo tempo! Claro que, com essa pluralidade, um simples corte no Alexandre durou 2 horas! Ela tinha alguns jargões, como "Todo paulista acha que baiano é preguiçoso! Olha a preguiçosa aqui!" Em pouco tempo ela nos chamava de "meu amor", entre outros vocativos como "mes enfants", "crianças", "lindinhos" e outras coisas. Um bom programa para um Natal.

Inverno

O inverno começou dia 21. Ainda está brando, média de 5 a 10 graus; mas será por pouco tempo: esta semana há previsão de até -3ºC. Depois de ter acordado muito tarde e ver que havia um pouco de sol, fomos dar uma volta pelo Montsouris. Foi o bastante para o sol ir embora e ficarmos apenas com o frio do inverno parisiense. Um passeio para ver o ciclo das estações se fechando, já que cheguei no final do inverno; para bater algumas fotos e também para ver como é o Natal por aqui - sem muitas novidades, aliás.

Ceia

Ontem foi a ceia de Natal daqui da Maison. Comida farta e muita gente; champagne, vinho e frango no lugar do tradicional peru. A foto ao lado (para ampliar, basta dar um clique na foto) mostra um pouco o que tivemos ontem para jantar. Pena que demorou um tanto - até passar pelos discursos oficiais da presidente do comitê e da diretora da Maison - e comemos comida fria. Pena também que a idéia de confraternização foi esquecida e ficou mais a insistência da comilança. Mas, de toda forma, foi uma maneira de abrandar a distância dos nossos nessa época que, por tradição, passamos ao lado dos familiares.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ho! Ho! Ho!


Para muitas pessoas eu já disse, mas não custa repetir; e para as inúmeras pessoas a quem não escrevi, um Feliz Natal! Joyeux Noël! Passaremos, este ano, um Natal com temperaturas baixas, de aproximadamente 2ºC, e uma ceia coletiva na Maison du Brésil.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ainda em dia

Tudo bem, sei que é Natal e que muita gente vai viajar e tirar férias neste final de ano. No entanto, continuo aqui, com minha saga blogueira, tentando manter atualizadas essas linhas mal lidas. Não vamos viajar nem no Natal nem no Réveillon. Portanto, as novas serão parisienses. Vamos aproveitar o curto recesso para andar um pouco pela cidade e postar algumas impressões.

domingo, 21 de dezembro de 2008

La Madeleine

Já fiz a lista de lugares que ainda não conheço e que quero ir visitar nas próximas semanas. Não são muitos, na verdade, visto que já andei um bocado por essa cidade. Mas como só posso bater-perna nos finais de semana, uma programação é bem-vinda. O programa de hoje era conhecer a Madeleine, igreja cuja arquitetura, neoclássica, lembra o Panthéon. E de fato o prédio era para ser inicialmente um monumento em homenagem ao rei Louis XIV, depois Napoleão pretendeu destiná-lo aos combatentes da França, mas acabou mesmo se tornando uma igreja. Daí sua arquitetura ser tão diferente para um templo religioso. Saindo de lá, fizemos uma caminhada atravessando a Place de la Concorde e fomos até a Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa... e na volta para casa, na procura do metrô, encontramos uma grande épicerie. É a grande épicerie de Paris (sétimo arrondissement)! Uma perdição em termos alimentares.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Onde acaba a razão começam os novos gregos

Os gregos têm curiosidade em saber de onde vêm os turistas. Em vários lugares nos indagaram de onde éramos. Em uma loja de quinquilharias e souvenirs, próxima à Acrópole, a reação do senhorzinho: "Ponham-se daqui para fora!". Em seguida, ele começa a declamar nosso Hino Nacional, para afirmar que é o hino mais bonito do mundo. Então, a revelação: ele era brasileiro! Apesar de morar há 25 anos na Grécia (fato que o deixa com um sotaque leve), ele foi professor no Brasil (em Pouso Alegre!) de Direito Grego e Romano. Orgulha-se dos três alunos seus que entraram no Itamaraty e, ao saber que Alexandre vinha de Águas de Lindóia, afirmou categoricamente que a água de lá é a melhor do mundo! E também foi desse simpático velhinho a frase que dá título a esta postagem, referindo-se aos jovens que dias antes provocaram grandes destruições no centro de Atenas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Passeio noturno

Depois de passar dois dias acompanhando um colóquio sobre teatro e veemência, pensei que um passeio pela cidade me faria bem. Ver a iluminação de Natal, aproveitar o dia sem chuva, o frio que não está tão intenso. Andamos um bocado: saímos do Panthéon, passamos pela Notre Dame, depois fomos até o Hôtel de Ville, percorremos a Rue de Rivoli e fomos até as Galeries Lafayette (foto acima), que está com sua decoração natalina. Desavisadamente, pegamos lá um coquetel (champagne, foie gras e salmão como boquinha-livre) e uma aviso: haveria "visitas ilustres" na noite, dentre elas Gérard Dépardieu. Não, não o vimos; mas vimos a Miss França...

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Confirmado o vôo de retorno para o Brasil. Será dia 13 de fevereiro à noite. Ou seja, tenho menos de 2 meses para percorrer o que ainda não vi da cidade.

Mykonos

Mesmo que não tenhamos ido a Santorini (devido ao tempo de viagem, de que não dispúnhamos - 9h), visitar uma ilha grega foi uma ótima experiência e também um grande presente dos deuses. Toda branquinha, as janelas das casas são pintadas de azul ou vermelho ou rosa ou azul claro. A cidade deve ferver no verão. Mas, por outro lado, aproveitamos um lado muito interessante da cidade: pegamos, praticamente, nativos por lá. E tanto não tinha turistas, que todo mundo se dirigia a nós em grego... tudo bem, nessa altura já era normal para nós ouvir as pessoas falando em sua língua nativa (embora não entendêssemos nada). Famosa por suas praias e efervescência nos meses de alta temporada, encontramos uma cidade quase que totalmente vazia e praticamente toda fechada. Assim, as 24 horas em que lá passamos foi mais do que suficiente para apreciar sua beleza e curiosidades locais. Em tempo: para quem pretende, um dia, visitar a Grécia, sugiro os meses de maio ou outubro. Ainda é fora de temporada, mas já é tempo de calor e movimento nas cidades.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Revolta e destruição

Chegamos em Atenas em uma época pouco propícia ao turismo. Fato lamentável, pois a cidade oferece inúmeras opções de visitas turísticas e culturais. Fomos testemunhas de uma revolta que gerou manifestos em outros países europeus e também repercutiu no mundo. As manifestações iniciais, há 10 dias, foram por toda a cidade, mas principalmente no centro, na Praça Sintagma (que fica em frente ao Parlamento) e no bairro Exarhia, conhecido por ter problemas com a polícia (e foi onde o garoto levou o tiro). Aqui abaixo, uma foto da árvore de Natal queimada pelos manifestantes na Praça Sintagma:

Além disso, em uma grande avenida, havia sinais de destruição por toda parte: prédios inteiros queimados! Caixas eletrônicos, lojas de empresas multinacionais (Subway, MacDonalds etc.) e até prédios residenciais! Vejam o estado em que ficou um caixa eletrônico (fiquei acuada e não quis bater mais fotos dos prédios queimados):


Não bastasse o fogo, os manifestantes fizeram muitos outros estragos, como se vêem abaixo: vidros inteiros quebrados! Os prejuízos - muitos milhões de euros - vêm sendo arcados pelo governo.

E no sábado em que lá estávamos, passeando desavisadamente pelo centro, nos deparamos com um número muito grande de policiais formando barreiras, o exército com máscaras de oxigênio, mangueiras de bombeiros espalhadas pelo chão, o trânsito estava sendo desviado. Perguntei a um policial se estava tudo ok e ele disse que sim. Continuamos andando e saímos ao lado do Parlamento. Eis que encontramos uma multidão de manifestantes com faixas e mais barreiras policiais. Claro que não ficamos lá para ver no que iria dar tal reunião. Fomos para o hotel, felizmente bem longe do centro, e somente no dia seguinte vimos que houve novos confrontos por lá, novos danos, novos protestos. De toda forma, nosso passeio ficou bastante limitado por conta disso e, acima de tudo, não pudemos entrar na Acrópole.

Idéias no lugar

Para esclarecer um pouco como foi nossa temporada na Grécia, acho importante colocar alguns fatos pelos quais passamos. Especialmente dizer que nem tudo deu certo como imaginávamos e planejamos... Primeiro: a viagem era para ter sido em outubro, já fora de temporada, mas ainda calor e tempo de praia. Depois: antes de a gente ir, houve aquele reboliço em torno das manifestações; foi decretada greve geral no país na quarta-feira, dia 10. Com isso, algo impensável: a Acrópole estava fechada!!! Não, não vimos o sítio arqueológico mais famoso do mundo e berço da cultura e pensamentos ocidentais! Motivo para voltar a Atenas... um dia, quem sabe?

Quando fomos comprar as passagens para Mykonos, o vendedor nos avisou que a ilha estava praticamente fechada, pois é uma ilha praieira: ele queria que fôssemos para Santorini. Essa segunda ilha é conhecida como a mais bonita do conjunto de um total de 3 mil ilhas; mas para chegar até lá, são 9h de Ferryboat. Enfim, chegamos na ilha e, de fato, tudo estava fechado: hotéis, restaurantes, lojas... não consegui comprar um único souvenir da ilha, pois as lojas todas estavam de portas fechadas e com cadeado! O hotel em que ficamos, por exemplo, fica fechado de novembro a abril... a dona "abriu uma exceção" para nós e abriu um quarto. Alugar um carro ou quadriciclo (como havíamos planejado)? Nem pensar! Tudo fechado. Segundo motivo para voltar para a Grécia: visitar Santorini.

Alguns tropeços: sexta-feira, 12. O vôo atrasou quase 1 hora. Chegamos em Atenas já ao meio-dia... até encontrarmos o hotel e nos instalarmos, quase 3 da tarde. Primeira lição do dia: Atenas é muito grande! Fomos enfim ao centro e... cai um verdadeiro pé-d'água; aproveitamos para almoçar e ficamos ilhados por um bom tempo. Quando a chuva parou, já era quase noite, de modo que, no primeiro dia, tudo o que pudemos fazer foi dar uma volta e ver o centro da cidade calmo, sem manifestações. Presenciamos algumas coisas naturais dos gregos: bate-bocas e gentilezas extraordinárias que demonstram um povo "sangue quente". Para quem se interessar, as fotos já estão disponíveis.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Questão de língua

Breves comentários sobre a experiência com a língua grega:

1) Invertendo os papéis:
Na Grécia, quem falava grego éramos nós: língua estranha e incompreensível aos habitantes daquela terra.

2) Falando grego:
Quando fomos a Veneza, eu tentava falar em italiano e só me respondiam em inglês. Na Grécia, o processo foi o contrário... eu tentava falava inglês e obtinha respostas em grego!

3) Enigma da Esfinge:
E a Esfinge disse a Édipo: "Decifra-me ou te devoro!"

Prévia

Chegamos de viagem, cansados e extasiados. São muitas histórias e muitas fotos desse povo tão, como disse anteriormente, caloroso. Presenciamos gestos dos mais antagônicos: desde uma senhora que parava o trânsito para pedir uma informação para nós, até um escandaloso bate-boca entre um passageiro e um taxista. Pegamos chuva, sol, frio, calor. Vimos calmaria e protestos. Andamos de barco e fomos até a ilha de Míkonos, a 6 horas de distância de Atenas de Ferryboat! Isso tudo em apenas 4 dias. Dias aproveitados ao máximo! Em breve, disponibilizarei as fotos da viagem.

sábado, 13 de dezembro de 2008

No meio do caminho...

...tinha um computador e aproveitei o encontro para deixar essa mensagem: estamos em Atenas e esta tudo bem conosco. Ao voltar, muitas historias e fotos a respeito desse povo tao... digamos, caloroso. As palavras estao sem acento pois estou com um teclado grego...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

De sonho a pesadelo

Espero que essa nossa viagem à Grécia, um sonho meu muito antigo, não se transforme num belo de um pesadelo com essa onda de manifestações anarquistas pelo país. São grupos que estão lutando contra reformas na educação superior e na previdência propostas pelo governo. A violência documentada explodiu após a morte de um estudante de 15 anos pela polícia. Os policiais alegam ter dado um tiro de advertência, que teria richocheteado e atingido o garoto. Algumas testemunhas sustentam outra versão. Espero que não atrapalhe nosso vôo, nossa estadia, nossa permanência na capital grega. Li hoje que a tensão sossegou um pouco, mas há mais movimentos coletivos previstos. Bom, voilà, voltamos na terça-feira e dou notícias tão logo pise em terras francesas. Bonsoir à tous.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ilusão cômica

Optar por uma adaptação moderna de um texto clássico é sempre motivo para cuidados: com a linguagem, adaptação, anacronismos etc. A peça que fomos ver hoje, L'Illusion Comique, de Corneille (portanto, século XVII), foi adaptada parcialmente à contemporaneidade. No que tange aos cenários e aos figurinos; mas a linguagem se manteve fiel ao original: versos rimados e alexandrinos, cuja tonalidade era especialmente marcada na sexta sílaba poética. Isso não seria um grande problema, não fossem os longos monólogos das personagens em cena, que me provocaram um sono terrível no meio da peça. O tema me interessava: a pequena nuance que existe entre a comédia e a tragédia; o metateatro, quando uma trupe encena uma tragédia dentro da peça... mas enfim, será preciso ler o texto agora para compreendê-lo melhor.

Sustos

Hoje foi um dia de sustos. Fui pegar minha máquina fotográfica (ficou pronta antes do previsto. Trocaram a tela inteira!) e, quando cheguei ao Centro Comercial, vários policiais e todas as lojas fechadas. Lojas fechadas às 13h30?! Fui andando e a escada rolante estava parada. Em uma rápida conversa com uma senhora, ela explicou: houve uma ameaça de bomba e o centro comercial fechou. Fui à aula que tinha à tarde e, depois, me encaminhei ao mesmo centro para recuperar a máquina. Eis que o metrô ficou parado um tempão na estação e, em seguida, veio a explicação: uma mala suspeita foi encontrada e, por isso, o tráfego da linha estava perturbado... Por fim, para terminar o dia, vejo o noticiário: lutas e manifestações na Grécia. Eu não ficaria tão preocupada se não tivesse uma passagem marcada para a próxima sexta com destino a Atenas. A viagem, antes programada para outubro, foi remarcada justamente para este final de semana. Saberia eu que haveria justamente nesta data manifestações violentas? Enfim: não digo que viajo tranqüila, não. Vamos viajar com muita atenção e limitar um pouco as coisas, dependendo do que encontrarmos pela frente. O maior medo, no entanto, é de que o vôo seja cancelado, já que hoje o país inteiro entrou em greve!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Paris em neve

A neve tem visitado Paris por alguns dias neste princípio de inverno. No entanto, nenhuma delas eu vi: ou estava dormindo, ou estava viajando, ou estava na BNF - como hoje. Tadeu até tentou nos chamar para ver os parcos flocos de neve da manhã, mas já estávamos em nossa tarefa cotidiana de trabalho. No entanto, eis que tiro, do fundo dos meus arquivos, um vídeo feito em março, quando eu recém tinha chegado a Paris. Não é neve, mas o chão fica branquinho branquinho:

video

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

L'Échange

Tadeu, gentil como é, bateu uma foto ontem no Beaubourg. E me mandou para ilustrar este blog, enquanto meu brinquedinho preferido está no conserto. Merci beaucoup, Tadeu. Ei-la:

Hoje fechei a troca de quarto com a diretora da Maison: dia 15 de janeiro vamos para um quarto de solteiro. Como Alexandre fica até dia 26 de janeiro, eu ficarei apenas 15 dias sozinha no outro quarto. Mas vale pela economia de 200 euros!

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Aproveitando o título da postagem (A Troca), hoje fomos ver o filme de Clint Eastwood, cujo título em francês é L'Échange. O filme conta com a ótima atuação de Angelina "Bonita" Jolie e marca o retorno de John Malkovicth.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Rapidinhas

Rápidas notícias do final de semana: sem fotos, apenas um resumo das coisas.
Ontem: festa de aniversário da minha amiga francesa (e parisiense) Elis. Vários amigos franceses foram convidados e tive de rebolar para conversar com eles em francês. Bom, ça va. Deu pra treinar um pouco. Saindo de lá, pegamos o metrô até o centro para, depois, pegar o RER até em casa. Eis que dentro do metrô, um homem ficava se batendo o tempo todo: ele se olhava no vidro da janela, mirava bem e se dava socos ou tapas. Eu evitava olhar (como código de convivência aqui, as pessoas evitam se olhar dentro dos transportes públicos). Mas eis que num momento olho pra trás e ele estava com a boca sangrando. Depois, RER basicamente lotado. Quase passei mal, de tão cheio que estava.

Hoje: dia de museu gratuito. Como Alexandre ainda não conhecia, fomos ao Centre Pompidou, ou também conhecido como Beaubourg. Deu pra ver apenas a parte de arte moderna, sem nos determos na parte de arte contemporânea. Depois, mesmo com um frio de bater queixo, tomamos um sorvete no Amorino. Gelados por dentro, a opção foi tomar um chocolate quente para aquecer. Nos painéis eletrônicos espalhados pela cidade, há sempre um recado mais ou menos assim: "Risco de hipotermia. Use muitas roupas e beba bebidas quentes".

sábado, 6 de dezembro de 2008

Pas de photo

Por um tempo ficarei sem me divertir com fotografias. Hoje levei minha máquina fotográfica à loja em que a comprei, pois ela estava apresentando problemas na tela. Como está na garantia, eles ficaram com o aparelho e me devolverão (se consertado ou não, não sei) no próximo dia 18. Até lá, uma sant'alma irá me emprestar sua máquina para a viagem que farei. Pri, obrigada. Por isso, fotos de Paris somente depois dessa data. Désolée.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Derradeiro mês...

...do ano, que seja bem dito. E por ser curto, bem curto, é também um mês cheio de afazeres. Até o final do mês pretendo terminar todo o levantamento bibliográfico ao qual me propus para, em janeiro e parte de fevereiro, escrever uma parte da tese. Mas, em meio aos livros finais, um colóquio, seminários, aulas e jantares. Esta semana e a próxima estão totalmente cheias, os dias e as noites. Além disso, dois colóquios perdidos (um aqui em Paris e outro em Louvain, Bélgica), uma viagem e um Natal sem árvore, sem presentes, sem preparativos. Enquanto isso, aguardamos ansiosos o frio de verdade para passar um Natal que faça justiça à roupa do Père Nöel.

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Hoje foi dia de curso de francês, para reposição de um feriado que houve. Éramos três (dá até para ser título de um livro), além da professora. Ela chamava: "Hélène..." Esqueci de dizer: como os franceses não conseguem pronunciar meu nome, aqui fiz uma troca e agora me chamo Hélène. O mais engraçado mesmo fica o sobrenome, mas não tem como explicar aqui.

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Na busca pelo frio, uma informação interessante. Em um site meteorológico, dizia o seguinte: "dados marcantes de dezembro em Paris: temperatura máxima, 17,1ºC (16/12/1989); temperatura mínima, -23,9ºC (10/12/1879)"... não imagino Paris debaixo de um frio de quase -24ºC! Mas já faz bastante tempo...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Postagem no estilo Tadeu

Hoje, em homenagem ao nosso amigo Tadeu Taffarello, cujo blog é um dos mais vistos e lidos pelos residentes da Maison du Brésil, resolvi fazer uma postagem à la Tadeu. Vamos lá...

Pessoal:

Hoje o Tadeu fez um jantar de despedida para a Gyselle, que está indo para o Brasil passar uma semana em lugares onde há sol e, de quebra, vai prestar um concurso. Aqui a foto dos que estavam no jantar:
Depois, a gente foi levar o Arthur na estação e aproveitamos para ver o frio que estava lá fora. Vejam a temperatura no termômetro: 01 grau. Pensávamos, na verdade, que estava temperatura negativa. Aproveitamos para ver como saíam as fumacinhas que saem da boca nas fotos (que, aliás, estão vetadas. Viu, Tadeu?!).

E aqui, na volta, vimos uns carros que estavam com uma camada de gelo. Apesar disso, a sensação térmica não era tão baixa.

Foi bem legal. É isso aí. Abraços.
E aqui termina meu primeiro post parodiando alguém...

Dia de trabalho

Hoje, dia de chuva ininterrupta em Paris, também dia de trabalho na BNF. Mas antes de sair, apenas uma curiosidade que se passou na segunda-feira lá mesmo, na biblioteca. Às segundas-feiras, ela abre às 14h em ponto. Em ponto. Chegamos lá 13h55 e uma imagem um tanto interessante: em frente ao guarda-volumes, uma fila de leitores esperando; do outro lado do balcão os funcionários, parados, sentados, esperando dar 14h pontuais para iniciarem o trabalho.

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O francês pergunta:
- Ça va?
O brasileiro responde:
- Saravá.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Chico do Brasil

Este é um vídeo de uma propaganda de telefonia da França. A personagem é um brasileiro, cuja imagem representada nada mais é do que samba, festa e alegria.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

47 do segunto tempo (2) ou coup de théâtre

Não, não ganhei outras duas estadias em Veneza (até porque hoje o Mar Adriático subiu 1,56 m e inundou a cidade inteira!). Agora, o que quase não acontece, mas aconteceu a tempo de marcar um gol nos 47 minutos do segundo tempo de jogo foi em relação à minha vida acadêmica aqui em Paris. Tinha visto a programação do Centre Culturel Gulbenkian e havia, hoje, uma palestra sobre teatro. Fui sem muita expectativa, haja vista as experiências frustradas anteriores em reuniões. Mas eis que, no final, fui falar com a professora que estava organizando o encontro: francesa e casada com brasileiro, fala o português à la Brasil ou à la Portugal (depende do momento e da vontade). Já havia entrado em contato com ela antes, quando estava no Brasil, mas não rendeu frutos. Eis que desta vez ela lamentou que eu esteja tão "perdida" academicamente e me convidou para participar dos seminários de orientandos dela, a partir já da próxima segunda-feira. E na volta para casa, conversando com uma outra moradora daqui que estuda teatro (a parte do espetáculo e sua teoria), ela me falou de uma certa livraria especializada... ei-la: Coup de Théâtre. Foi, na verdade, um coup de théâtre na minha estadia aqui! (Para os não-especialistas em teatro: a expressão francesa significa uma cena que provoca a reviravolta repentina no curso da ação de uma peça.)

domingo, 30 de novembro de 2008

Luzes de Natal

A Champs-Elysées já está com sua iluminação natalina. Nada além de uma roda gigante (bonita e iluminada), as árvores com luzes e quase desnudas de suas folhas e uma imensidade de barraquinhas vendendo guloseimas e artesanato. Parece, até, o nosso São João. Diferente, mesmo, foi ver as esculturas no gelo que lá estão expostas. Alexandre não acreditava que fossem gelo até tocar nelas (e quase queimar a mão no gelo). Agora, pra conseguir uma foto das esculturas foi uma luta: todos queriam bater fotos com as estrelas do Natal parisiense.

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Saindo de lá e aproveitando a noite e o frio de 5ºC, paramos no Louvre para vê-lo iluminado. Algumas fotos no álbum de novembro... E ei-lo: o mês derradeiro, dezembro, fechando as portas de 2008.

Invernal

O frio chegou e parece que pra ficar (as temperaturas têm variado entre 0 e 10 graus). Na última semana nevou duas vezes (segundo Tadeu, porque eu não vi nenhuma das duas): semana passada, quando estávamos na Itália, e nesta madrugada. Fomos, ontem, abastecer-nos para o inverno, que aí vem, com roupas made in China. No meio do caminho, uma foto:

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Cidade das artes

Por muito tempo fiquei pensando no que poderia escrever aqui sobre Florença. Gostaria de ter tido uma experiência mais intensa com a cidade para poder dar um depoimento que fosse condizente com o que ela realmente oferece àqueles que a visitam. O que descrevo é, no entanto, a percepção rala de quem passou muito pouco tempo por lá. A cidade é linda, de uma beleza perceptível especialmente durante o dia. Com uma alta concentração de arte renascentista (é lá que está o David, de Michelângelo, na Galleria dell'accademia), somente na Galleria degli Uffizi pudemos ver O nascimento de Vênus e vários outros quadros de Boticcelli, além de quadros de Rafael Sanzio, Tiziano, Caravaggio etc., etc. Esta galeria, aliada à Galleria Borghese (de Roma), oferece um acervo de arte renascentista invejável e praticamente imbatível. No entanto, de Florença, é pouco o que posso dizer. Não fomos a outros museus (como havia comentado, caríssimos), apenas perambulamos pelos cantos da cidade, vendo as igrejas pela fachada (pois elas também são pagas em alguns casos), admirando aquela arquitetura tão fascinante.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Venezia

Venezia, como é escrita em italiano, é uma cidade fantástica. Sim, a praça S. Marco fica alagada na maré alta (pegamos no último dia, mas estávamos atrasados e não deu para bater foto), o cheiro de esgoto sobe pelo ralo do banheiro, há pombos aos montes; mas mesmo assim a cidade é linda, diferente, encantadora. Como bem a definiu Alexandre: é a cidade mais fotogênica que já vi. De todos os lugares é possível bater uma linda foto. E uma história um tanto particular, que eu não conheço, ligada ao poder dos Doges, da igreja e da arte: história que está estampada na sua arquitetura e na arte presente lá, mas longe da minha compreensão. Algumas coisas interessantes a serem contadas: um frio de lascar congelava as pontas dos dedos dos pés e das mãos, além de adormecer o queixo e as orelhas (na primeira noite o aquecimento do nosso quarto estava desligado... ai que frio!!!). 5h da tarde anoitecia e, como mágica, todo mundo sumia da cidade. De dia, a imensidade de turistas surgia novamente. O vêneto, dialeto de lá, incompreensível e, estranhamente, as pessoas não gostavam de se comunicar em italiano, mas preferiam o inglês. Enfim, detalhes de uma cidade que mantém em torno de si muitas lendas, histórias e glamour. Abaixo, um pequeno vídeo que eu fiz quando estávamos vindo embora, do vaporetto, meio de transporte utilizado para grandes distâncias e que se locomove pelo Canal Grande.
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Dança no céu de Roma

Provavelmente muita gente já viu ao vivo, mas nós só tínhamos visto antes pela TV: uma dança dos pássaros (talvez de acasalamento). Parece que isso é tão comum na Itália que há até uma propaganda de carro simulando o ato nos céus. São milhares de pássaros juntos que voam para todos os cantos, que ora se juntam ora se separam, formando imagens e coreografias belíssimas. No primeiro dia de passeios, saindo da Piazza Navona, nos deparamos com o espetáculo a céu aberto. Abaixo, no vídeo, uma demonstração da surpresa que Roma nos preparou:

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Alpes

Posso não ter ido aos Alpes, tampouco aproveitá-los para esquiar. Mas vi as famosas montanhas geladas do alto, bem do alto. Na foto abaixo, uma foto da ida, passando pelos Alpes no vôo para Roma.

E aqui abaixo, as duas fotos que seguem são da volta (de Veneza). As imagens são lindíssimas e impressionantes. Especialmente quando a cordilheira acaba e é possível ter uma noção da altitude dela...


47 do segundo tempo

A viagem já estava toda programada, certinha, todas as passagens compradas e hotéis reservados. Eis que de repente, não mais que de repente, eu recebo um e-mail do Hostelsclub (agência de albergues pela qual fiz as reservas de hospedagem) dizendo que eu tinha ganho um final de semana grátis em Veneza! Não hesitei e escrevi para eles pedindo para que a gratuidade fosse nos dias em que lá estaríamos: 24 a 26. Não deu outra: ganhei as duas noites em um hotel de Veneza!!! Detalhe: o hotel ficava ao lado da Praça São Marco, o coração da cidade. Com isso, conseguimos respirar um pouco mais aliviados, com um orçamento já não tão apertado. Abaixo, o lugar onde ficamos hospedados:


Exibir mapa ampliado

Roteiro de viagem

A viagem à Itália, apesar de parecer ser muito (7 dias), foi rápida: isso porque, para Roma disponibilizamos 3 dias, Florença foi vista em 2 e Veneza em apenas 1 dia e meio! Pouco, muito pouco para apreciar a beleza de tais cidades. Como diz o Guia Routard: somente no terceiro dia em Roma notamos que o melhor seriam quatro. É verdade: no terceiro dia de Roma queríamos um a mais para poder visitar os lugares que estavam na lista. Não deu, infelizmente. Fica para a próxima. E olha que em Roma não foi pouca coisa que vimos: centro histórico, Galeria de arte antiga (Palácio Barberini), Galleria Borghese e a Villa Borghese, Coliseu, Forum Romano e Palatino etc. Quase tudo, na verdade, eu já tinha visto da outra vez; mas não impede que a admiração continue, sempre e sempre. Em Florença optamos por visitar apenas um museu (Galleria degli Uffizi, segundo indicação de um amigo, com um acervo de "tirar lágrimas dos olhos") e andar pela cidade. Creio que foi uma ótima opção: a cidade é linda! Mas é preciso sempre andar olhando pra cima, pois nos prédios antigos é que está a maior beleza da cidade. Em Veneza, então, passamos correndo por lá. E dela posso dizer apenas que passei, mas não a conheço como gostaria. A seguir, alguns comentários da viagem e as fotos já estão no álbum.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De volta ao lar

Chegamos de viagem. Não, não vou postar nada sobre nossa estada em Itália por enquanto. Antes, é preciso carregar as quase 500 fotos, o que vai me consumir certo tempo. Roupa suja a ser lavada, trabalhos atrasados e pendentes, volta ao lar e à realidade. Enquanto isso, para dar notícias e também recebê-las, uma postagem para dizer que estamos de volta à ativa e mostrar a linda foto dos filhos do Haku...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Un'altra volta

Conhecer a Itália é um privilégio (não de poucos, claro, já que é um dos lugares mais visitados pelos brasileiros). Retornar à Itália, então, é um grande privilégio: amanhã cedo, eu e Alexandre partimos para Roma (alguns me dirão: de novo, Roma?!). Volto para lá não só porque gostei muito da cidade, mas porque acho que é um lugar fundamental para conhecer e quero que Alexandre a visite. De lá, pegamos um trem para Florença e, depois, vamos para Veneza. A viagem está sendo programada há muito tempo, com direito a busca infinitas de hospedagem, passagens, lugares a serem visitados, cálculos de quanto podemos gastar e de quanto efetivamente teremos de gastar. Afinal, a Itália não é o lugar mais barato a ser visitado. Diria, até, que está entre um dos mais caros: hospedar-se em Roma é sempre uma aventura pela qual se paga caro. Museus por lá custam uma pequena fortuna (estou acostumada a não pagar os museus aqui em Paris). Andar de gôndola em Veneza? Só para quem se dispõe a pagar 80 euros o passeio... enfim, coisas que ficam apenas no imaginário popular, pois é praticamente impossível ver e fazer tudo neste país extremamente artístico e turístico. Em tempo: hoje é dia de trabalho acelerado para nos darmos o direito de uma semana de férias. O blog ficará parado até a próxima semana, quando retornaremos com muitas fotos e histórias - espero. Data prevista para o nosso retorno a Paris: 26 de novembro.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Tristes Trópicos

O livro de Lévi-Strauss, Tristes trópicos, foi resultado de sua vivência - na década de 1930 - entre os índios Nambikwara, tribo da Amazônia. Semana que vem o antropólogo francês completa 100 anos de vida e, talvez como parte das comemorações, foi transportada para filme parte das experiências do francês com esta tribo. O filme (Claude Lévi-Strauss, auprès de l'Amazonie), cuja avant-première foi ontem, mostra a tribo da época e de hoje, evidenciando não apenas o que Lévi-Strauss encontrou no meio da selva amazônica, mas como o mesmo povo manteve suas referências culturais frente ao avanço da cultura branca entre eles. Um pouco idealista, um pouco inocente; mas fato é que foi um filme rodado com formato para a TV e será transmitido na próxima segunda-feira pelo canal 5.

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Estou começando a entrar no paradoxo da maioria dos brasileiros que vêm pra cá: vontade de voltar, saudade da terra; mas ao mesmo tempo já com o coração apertado por deixar uma parte da história dessa vida pra trás, uma parte tão boa, tão proveitosa e rica. Hoje vejo Paris com outros olhos: aqueles que tentam guardar a imagem na memória, a melhor e a maior possível. Ando pela cidade e não paro de admirá-la, quero levar comigo suas boas referências, as belas imagens que encontro andando por aí, as boas experiências.

domingo, 16 de novembro de 2008

Blague


MAM

Saindo da feira, depois de comer uma galette como almoço (aqui, na feira comemos galette ou crepe, no lugar do brasileiríssimo pastel de feira), fomos para o MAM: Museu de Arte Moderna de Paris, que fica no Palais de Tokyo, cujo acervo permanente é gratuito. Encontramos, no meio do caminho, dois italianos perdidos na teia que formam as linhas do metrô parisiense. Em meio a uma experiência babilônica, com mistura de francês, inglês e italiano, consegui convencê-los a descer no Trocadéro e poder ver o melhor ângulo da Torre Eiffel. Na saída do MAM, a proposta alexandrina: voltar para casa a pé. Fizemos o nosso roteiro, com direito a procurar, pelo caminho, uma boa boulangerie (padaria) para comprar pão com uvas. Em tempo: no acervo do museu, Picasso, Matisse, Modigliani etc. Fotos do dia no álbum.

Vida francesa

Quer saber como é a vida francesa? Vá até uma feira de roupas e alimentos, coisa tipicamente francesa. Tem de tudo. Para vender: frutas variadas, verduras, legumes, carnes, doces, roupas, equipamentos de cozinha, revistas e livros, frutos do mar etc. Para ver: jovens, casais, velhinhos, famílias... enfim, é um lugar perfeito para saber como o francês se comporta de fato. Seguindo indicação do pessoal daqui do andar, fomos então na feira da Bastilha (na foto, ao fundo, está o obelisco construído no lugar da antiga prisão). Enorme a feira de lá, com múltiplas barracas vendendo os mais variados produtos artesanais (frescos e bonitos) e sem intermediários.

sábado, 15 de novembro de 2008

Da invisibilidade

Se você participasse de um grupo de estudos, cujas reuniões tivessem certa regularidade, com um grupo de alunos conhecidos e se, de repente, aparecesse uma nova pessoa neste grupo, o que você faria? Pode não ser unânime a resposta a esta pergunta, mas grande parte dos brasileiros se perguntaria quem é essa nova pessoa e, provavelmente, dirigiria alguma palavra a ela. Ao menos, foi assim que eu fui recebida em Campinas: muitas pessoas me perguntaram quem eu era, de onde vinha, o que estudava etc. Mas essa história não se repete por aqui. Hoje fui à segunda reunião (em 8 meses!) do grupo de pesquisa do qual, teoricamente, participo. E, pela segunda vez, entrei e saí da reunião sem ninguém dirigir a palavra a mim; nem bonjour, nem au revoir. Tudo bem, eu também não tenho desenvoltura suficiente para me apresentar e fazer perguntas, mas as coisas vão além disso, caem no limbo da invisibilidade do outro. Sinto-me incomodada com isso.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dias curtos

Dias seguidos de trabalho: tensão com o direcionamento da tese, acompanhamento da crise financeira, leituras atrasadas, últimos meses em Paris. Os dias estão cada vez mais curtos, não apenas pelo inverno - que encurta o dia - mas também pela quantidade de coisa a ser feita e o quanto o tempo passa rápido...

Por indicação de Patrícia, a moça que nos atendeu na Coisas do Brasil, fomos dar uma olhada no programa do Centre Culturel Gulbenkian, uma fundação portuguesa com sede em Paris, cuja programação cultural é de encher os olhos para qualquer amante literário. A de hoje: uma mesa-redonda sobre o trabalho do cineasta português Manoel de Oliveira (a presença dele estava agendada, mas ele está filmando em Rimini, na Itália, e não pôde vir). Este é o cineasta que produz há mais tempo (ele tem 99 anos e ainda está na ativa!). Saímos, portanto, da BNF e fomos direto ao centro. Com fome, Alexandre pensava alto: "Ai, uns pasteizinhos de Belém". Não teve. Ao contrário, foram quitutes e champagne.

Aproveitando a proximidade, resolvi passar pela Champs-Elysées para ver como ela é à noite (nunca a tinha visto anteriormente). E eis um testemunho, a foto acima, do Arco do Triunfo iluminado pelas luzes artificiais. Na volta para casa, alguns "encontros" inusitados; quase em casa, um bêbado que gritava feliz da vida: "Ils sont Obama; nous sommes Obama" (Eles são Obama; nós somos Obama). E eis que Obama surge, no horizonte mundial, como uma estrela da esperança, tal qual Lula foi um dia para o Brasil. Vejamos e esperemos o melhor.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cigarros e fumantes

Conto algumas histórias que se passam por aqui porque elas não são comuns. Ao menos, não no meu cotidiano em Paris. A que aconteceu hoje foi em um ponto de ônibus e foi mais ou menos assim:
Um homem está sentado no ponto de ônibus, com um jogo de palavras e uma caneta nas mãos. Eis que chega um senhor, fumante, e se senta ao lado dele com o cigarro entre as mãos. O mais novo olha-o e diz:
- Senhor, aqui é a área dos não-fumantes.
- Pardon?
- Aqui é a área dos não-fumantes.
- Mas aqui é lugar aberto!
- Senhor, aqui é área dos não-fumantes. O senhor pode apagar o cigarro?
- Pardon?
- O senhor pode apagar o cigarro?
- Mas, não! Estamos na calçada, ar livre, lugar público!
- Eu já parei e não quero fumar, por favor!
- (...)
O homem, bastante alterado, bate com a caneta no cigarro do senhor.
- Hei! Isso é violência! - e o senhor se levanta e vai até a ponta da calçada, na parte descoberta do ponto de ônibus.
- Violência é o que o senhor faz: não respeitar os outros que não querem fumar. Isso sim é violência. Eu pedi com gentileza e você não deu atenção...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O tom do outono

Hoje, para dizer que não saímos para ver a cidade à luz do dia, demos uma rápida volta pelas redondezas. Mais precisamente do parque Montsouris à praça Denfert-Rochereau (ou seja, a uma estação daqui de casa), seguindo pela Allée Samuel Beckett:
E eis que, no meio do caminho, encontramos o chão repleto de folhas caídas das árvores, imagem perfeita para uma boa foto de outono.

E agora à noite, finalmente fomos ver o filme Vicky, Cristina, Barcelona, de Woody Allen. Bom rever os lugares visitados pessoalmente: Las Ramblas, Park Güell, Sagrada Família... e perceber que há muito mais coisas a serem vistas por lá. Abaixo, uma imagem do filme.

Feriado

Hoje é feriado aqui na França, dia do Armistício, em comemoração ao fim da Primeira Guerra Mundial, a partir da assinatura de um tratado para encerrar as hostilidades fronteiriças. Dia bonito, sol e temperatura agradável. Nós, no entanto, estamos dentro de casa (motivo: trabalho). Eis que olhando umas fotos antigas, vi uma batida de uma vitrine em Reims, repleta de macarrons. São docinhos feitos de amêndoas e com diversos sabores (chocolate, café, pistache, framboesa, baunilha etc.), que Alexandre experimentou pela primeira vez no domingo. Coincidência, uma moça - que estuda patisserie aqui em Paris e que mora na Maison - fez uma boa fornada de macarrons no domingo à noite para comermos e, de quebra, passou a receita dessa deliciosa guloseima francesa. Eis a foto dos docinhos:

Vídeo

Eis o vídeo do final da missa na Notre Dame. Outro dia não consegui postá-lo, então tento hoje novamente:

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domingo, 9 de novembro de 2008

Missa na Notre Dame


Domingo é dia de missa; e, mais especificamente, dia de missa em canto gregoriano na Notre Dame de Paris. Curiosa por saber como é uma missa gregoriana, fui hoje cedo. O que posso traduzir não é necessariamente uma decepção, mas um desencanto. Explico: eu pensei que o ritual fosse todo cantado em latim, mas não é. Há todas as partes normais de uma missa (em francês) e os cantos são realmente gregorianos (e em latim). Mas ir cedo ao centro de Paris nos rendeu um passeio por lá, aproveitando que a cidade estava vazia, e uma ligeira passada pelo jardim de Luxembourg para ver como anda o outono por lá.

sábado, 8 de novembro de 2008

Pulgas

Não, não vou falar novamente de cães. É que hoje eu fui conhecer o Mercado de pulgas (le marché aux puces) do norte de Paris: Saint-Ouen. Fui lá na expectativa de encontrar algum casaco de frio por um preço bacana, seguindo algumas várias indicações. Eis que chegando por lá, encontramos uma grande feira de mercado paralelo, provavelmente de coisas contrabandeadas. Outras, falsificadas. Fiquei andando pelo quartier, entrei por umas ruas e também me deparei com outra face do lugar: há várias galerias de antigüidades - e que são na verdade o lugar conhecido como Mercado de Pulgas. Só que, em volta dessas galerias, foi se formando uma imensidão de vendedores ambulantes, todo imigrantes, com produtos de origem duvidosa. E não necessariamente baratos. No retorno pra casa, eis que passa um grupo de policiais segurando um jovem... tudo bem; mas de repente começaram a surgir muitos outros policiais, viaturas, camburão, sirenes ligadas. Foi uma movimentação geral, com muitas pessoas correndo (e muitas se escondendo). Teve um cara que chegou a se esconder nas máquinas de bater foto (à la Amélie Poulain)!

Papai e menu franco-brasileiro

Não é nenhuma notícia de viagem, tampouco daqui de Paris. Justamente o contrário: vem bem de longe; de Águas de Lindóia mais precisamente. Haku, este lindo cocker spaniel da foto ao lado (meu, é claro), foi papai ontem de 5 lindos cockerzinhos: 1 macho e 4 fêmeas. Pena que só poderei ver seus filhotinhos, por enquanto, por skype...
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Ontem eu e Alexandre oferecemos um jantar para nossos amigos franceses: Anne-Laure e Philippe, de Marseille, e Elis, de Paris. Ainda foram convidados: Rosangela e Ana Maria (ex-alunas de Anne-Laure tb no Brasil) e Lucas, meu parceiro de cozinha. No menu: como entradas, pães de queijo e sopa de palmito, com baguette de acompanhamento; como prato principal, legumes gratinados, arroz selvagem e salada; tábua de queijos e, sobremesa, torta de maçã (feita por Elis) e calissons d'Aix (que Anne-Laure trouxe do sul).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Coisas do Brasil

Para brasileiros que sentem saudades das comidas brasileiras, há uma loja em Paris que se chama Coisas do Brasil. Hoje fomos lá para comprar pão de queijo e, antes de sair, começamos a conversar com a moça que estava atendendo... brasileira, casada com francês, mora há dois anos em Paris e faz mestrado em... literatura! Vem de onde? São Paulo! Ela perguntou como eu me sentia aqui em Paris e eu e Alexandre começamos a falar algumas coisas da nossa vida daqui. Eis que uma senhora, que estava fazendo suas comprinhas, deu seu depoimento: é faxineira em Paris, mora aqui há 4 anos, chegou sem falar uma palavra do francês, sente muita saudade do Brasil e da família dela (são em 10 irmãos). Hoje ela estuda francês, tem um namorado aqui e participa do coral da Sorbonne. Sai a senhora e continuamos nossa conversa, agora sobre a relação na universidade. Chega uma moça, que fica quieta por muito tempo enquanto conversávamos. Mas eis que eu falei que tinha sobretudo amigos brasileiros por aqui. Depoimento da moça: "Eu me afastei dos brasileiros. Uma vez eu fui numa festa de brasileiros, deu um barraco e a polícia apareceu por lá! Ainda bem que eu estava legalizada. Depois disso, nunca mais quis ter contato com os brasileiros". Coisas do Brasil. Ou seriam da França?

Dois assuntos num post encomendado

Alexandre há tempos vem me pedindo para eu comentar, aqui neste blog, a respeito de algumas coisas. Uma delas é a respeito do silêncio persistente por aqui. Em Toulouse, por exemplo, era possível ver o bares lotados à noite, mas ninguém ousava falar alto ou dar uma boa gargalhada. Ato que se repete nos metrôs, supermercados, ônibus etc. Esse é um traço marcante da personalidade francesa, que - talvez por extensão - também pode ser observado nos cães. É raro ver um cão latindo. Pittbulls tranqüilos, Rotweillers que seguem seus donos, Labradores lindos até; os cachorros, aqui, são tão discretos quanto seus donos. E há um lado ruim disso tudo: por regra de conduta social, não podemos agradar os cães. E nem eles dão bola para quem os agrada. Já houve casos de eu parar e mexer nos cachorros, mas os donos me olharem atravessado... depois pedi explicação para Anne-Laure e ela me falou que nem os cães nem os bebês são agradados assim por estranhos. E a gente fica só na vontade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Polida

Durante o curso de francês, hoje, um fato curioso: na próxima terça-feira, aqui, será feriado. Como é dia de curso, será preciso repor... mas havia, entre diretora da escola e professoras, um desacordo em relação ao dia em que isso deve ser feito. Eis o fato: a diretora não foi nem um pouco polida. Ela saía de sala em sala (são 4 ao todo), falava em alto tom com as professoras e batia a porta. Isso foi feito umas duas vezes, em meio a uma leve discussão entre a nossa professora e a diretora, com direito a dizeres como: "Somos nós quem pagamos". A professora, nitidamente constrangida, saiu duas vezes para conversar com a diretora e voltou quase chorando para a sala de aula. E daí em diante, a aula não foi mais a mesma.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fígaro

Com ingressos comprados há muito tempo (que é como as coisas mais ou menos funcionam por aqui), hoje foi dia de teatro, na Comédie Française, para ver O casamento de Fígaro, de Beaumarchais. A representação era irregular, com seus altos e baixos, que apelou aos trejeitos de riso fácil - de modo que muitas vezes a cena ficava até, digamos, carregada. Por vezes, bastante cansativa. O texto nem impedia tanto a compreensão da peça, mas o que realmente a limitou foi o modo como optaram para dar vida ao texto dramático.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Lugares-comuns

E da insustentável beleza das cores outonais.

Um dia ameno, luz opaca e cores magnificamente belas.
As fotos são do Parc Montsouris e da Cité Universitaire.

Nem tudo o que reluz é ouro

Para não pensarem que a vida aqui se resume a idas a balés, óperas e museus, mostro o outro lado da moeda de uma bolsista em Paris: a fundação que nos envia a bolsa paga de 3 em 3 meses. Uma bolada, mas que é preciso administrar pra não ficar na pendura no final do terceiro mês. Mas a gente sempre fica na pendura no final do terceiro mês. E ele foi em outubro (por exemplo, até hoje ainda não paguei aquele táxi de Barcelona). Este mês seria o início de um outro trimestre (praticamente o último para mim)... o pagamento foi liberado, mas até hoje não apareceu a cor do dinheiro ainda na minha conta corrente.

domingo, 2 de novembro de 2008

Leituras e citações

Le déjeuner sur l'herbe, quadro acima, de Edouard Manet, foi uma das obsessões de Picasso nos idos dos anos 60. Obsessão suficiente para render obras que permitiram ao Musée d'Orsay organizar uma exposição, do mestre cubista, com várias leituras e reformulações da cena retratada acima. O quadro original, pintado um século antes, foi motivo de polêmica na exposição em que foi apresentado; mas Manet era considerado, por Picasso, como um gênio modernista avant la lettre e, por isso, a insistência em redescobrir sua pintura. Abaixo, um exemplo de Le déjeuner sur l'herbe d'après Manet, de Pablo Picasso: